Delator diz que recebeu US$ 2,5 mi em propina da Andrade Gutierrez

Paulo Roberto Costa aponta que dinheiro de empresa alvo de nova inquérito da Lava Jato foi movimentado pelo operador do PMDB, Fernando Baiano

Redação

29 de janeiro de 2015 | 23h49

Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo

O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em delação premiada que recebeu US$ 2,5 milhões da Andrade Gutierrez em contratos da Diretoria de Abastecimento – unidade que dirigiu entre 2004 e 2012. Ele disse que a empreiteira pagava propina ao PMDB e ao PP por meio do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano.

A Andrade Gutierrez é alvo de inquérito aberto esta semana pela Polícia Federal em nova etapa da Operação Lava Jato. À PF, Costa relatou que Fernando Baiano, suposto operador peemedebista, chegou a manter US$ 4 milhões à sua disposição no exterior.

“Deste montante, entre US$ 2 milhões e US$ 2,5 milhões eram oriundos de valores pagos pela Andrade Gutierrez”, confessou o ex-diretor, em depoimento no dia 5 de setembro, registrado no Termo de Colaboração 45. A PF registra que do total de US$ 4 milhões ele solicitou a Baiano “que transferisse US$ 3 milhões para uma conta no exterior em nome de seus genros Humberto e Márcio”.

O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba

O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba

Costa disse não saber o que o lobista fez com o saldo de US$ 1 milhão “que havia restado daquilo que lhe era devido nos contratos operados por Baiano dentro da Abastecimento”.

Segundo a Lava Jato, PT, PMDB e PP controlavam diretorias da Petrobrás por meio das quais arrecadavam de 1% a 3% nos contratos para os partidos. O PT controlava Serviços, Exploração e Produção e Gás e Energia. O PMDB controlava a Diretoria Internacional. E o PP a Abastecimento.

Segundo revelou Costa, os valores “cobrados e geridos” por Fernando Baiano em nome da Andrade Gutierrez mudaram de mãos a partir de 2008 ou 2009. Até lá, a empreiteira tratava diretamente com o doleiro Alberto Youssef, operador do PP na Abastecimento.

Costa contou que a empreiteira, mesmo após “ganhar algum contrato” sob responsabilidade de sua diretoria “custava a depositar o valor devido ao PP”. Com a substituição de Youssef por Fernando Baiano, o PMDB passou a ser contemplado.

O ex-diretor apontou a “proximidade” do lobista com o empreiteiro Otávio Azevedo, presidente da holding Andrade Gutierrez e citou o nome do executivo Paulo Dalmaso como seu contato na empreiteira.

 

COM A PALAVA, A ANDRADE GUTIERREZ

A Andrade Gutierrez nega reiteradamente envolvimento com o esquema de propinas na Petrobrás. A empresa sustenta que as acusações são “baseadas em ilações e não em fatos concretos”.

A Andrade Gutierrez afirma que nunca fez parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos, a Petrobrás e a empresa.

A empreiteira tem assinalado que em depoimentos já concedidos à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef e Fernando Baiano “deixaram claro que não há qualquer envolvimento da companhia e seus executivos com os assuntos relacionados às investigações da Operação Lava Jato”.

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