Delator diz que ‘ratificou’ propina de R$ 8 mi na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes

Delator diz que ‘ratificou’ propina de R$ 8 mi na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes

Ex-diretor de contratos da Odebrecht, Celso da Fonseca Rodrigues, relatou suposto acerto com ex-diretor do Metrô na sede do governo de São Paulo para alterar edital de concessão da Linha 6-Laranja

Fabio Leite

29 de abril de 2017 | 06h00

Celso da Fonseca. Foto: Reprodução

O delator Celso da Fonseca Rodrigues, ex-diretor de contratos da Odebrecht, afirmou em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que ‘ratificou’ o pagamento de R$ 8 milhões em propina ao ex-diretor do Metrô paulista Sérgio Brasil na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

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O executivo disse na delação que o encontro, do qual também teria participado um diretor da construtora Queiroz Galvão, ocorreu entre novembro e dezembro de 2013.

Segundo ele, Brasil ‘cobrou a propina’ por ter feito alterações no edital da Parceria Público-Privada (PPP) para construção da Linha 6-Laranja a pedido do consórcio Odebrecht-Queiroz, que venceu a concorrência de concessão por 25 anos.

O valor cobrado, segundo o delator, era equivalente a 0,01% do custo total das obras, em torno de R$ 8 bilhões ao longo de quatro anos.

Celso Rodrigues contou que a suposta cobrança de propina já havia sido feita por Brasil em outras reuniões anteriores, mas foi ratificada naquele encontro da lanchonete após aval da diretoria da Odebrecht para executar os pagamentos ilícitos.

“Então, eles autorizaram que a gente desse o retorno para o servidor Sérgio Brasil. As reuniões ocorriam ou no gabinete [de Sérgio Brasil] ou no Palácio Bandeirantes. Essa reunião, a gente sentou dentro da área do Palácio, na lanchonete, e essa conversa foi lá. Eu, o Mário (Bianchini) da Queiroz e o Sérgio Brasil. Foi ratificado o 0,01%. Cada empresa ficaria com uma parte do consórcio”, afirmou Rodrigues.
Ainda de acordo com o delator, Brasil ‘solicitou um adiantamento’ de R$ 500 mil para assinar o contrato.

Celso Rodrigues entregou à força-tarefa da Lava-Jato uma planilha do setor de propina da Odebrecht na qual consta o pagamento deste valor ao codinome ‘Encostado’ em 17 de dezembro de 2013, um dia antes do consórcio assinar o contrato em evento com o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo Rodrigues, o codinome ‘Encostado’ foi dado a Sérgio Brasil porque ele teria sido escanteado dentro do governo como assessor da Unidade de PPPs.

Antes, Brasil era tratado como ‘Brasileiro’ nas planilhas. Segundo delatores da Odebrecht, ele também recebeu pagamentos ilícitos vinculados às obras das linhas 2-Verde e 5-Lilás do Metrô.

“Ele começou a pedir um adiantamento de R$ 500 mil. Eu voltei ao Luiz Bueno (superintendente da Odebrecht em São Paulo, à época) e falei que isso nunca tinha acontecido, de pagar dinheiro antes da garantia. Bueno ponderou e autorizou. Esse pagamento foi feito antes do contrato”, afirmou o delator.

As obras da Linha 6-Laranja só começaram em abril de 2015 e foram paralisadas em agosto de 2016 pelo consórcio Odebrecht-Queiroz por dificuldade em obter financiamento em virtude da Lava Jato.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DOS TRANSPORTES METROPOLITANOS

“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) acompanha com atenção a divulgação dos conteúdos das delações. Em casos que possam envolver pessoas de seus quadros, a STM ressalta que é a maior interessada no avanço e resolução dos processos, pois preza pela transparência de seus trabalhos e exige de seus funcionários uma conduta ética condizente com os mais elevados padrões do serviço público do Estado. No caso da participação efetiva de funcionários e ex-funcionários em qualquer tipo de crime, a posição da STM é clara: que se aplique a lei, que sejam julgados e, se condenados, punidos.”

COM A PALAVRA, O ENGENHEIRO SÉRGIO BRASIL

A reportagem fez contato com os telefones do ex-diretor do Metrô, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para sua manifestação.

COM A PALAVRA, MÁRIO BIANCHINI

A reportagem não localizou o executivo ligado à Queiroz Galvão. O espaço está aberto para sua manifestação.

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