Delator diz que Queiroz Galvão pagou R$ 7 mi a ex-diretor da Petrobrás

Delator diz que Queiroz Galvão pagou R$ 7 mi a ex-diretor da Petrobrás

Em novo depoimento, o lobista Fernando Baiano apontou repasses a Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e citou suposto doleiro ligado à empreiteira; construtora foi envolvida também em delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado

Julia Affonso, Ricardo Brandt. Mateus Coutinho e Fausto Macedo

20 de junho de 2016 | 05h00

O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/Estadão

O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/Estadão

O lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, prestou depoimento complementar, em sua delação premiada na Operação Lava Jato, e afirmou que a empreiteira Queiroz Galvão pagou R$ 7 milhões ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. À PF, Baiano citou ainda ‘Augusto Costa’, suposto doleiro que teria atuado para a empreiteira, no Rio.

Durante a última semana, a Queiroz Galvão foi citada em um suposto esquema de propina para a campanha de Gabriel Chalita (ex-PMDB, atualmente no PDT) à Prefeitura de São Paulo, em 2012. Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolveu diretamente o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) na operação de captação de R$ 1,5 milhão em recursos ilícitos.

Machado revelou ainda ‘medo’ com uma ‘delação’ da Queiroz Galvão. Empresas não fazem acordos de colaboração premiada, mas, sim, de leniência.

Em seu depoimento à PF, em 2 de junho, Fernando Baiano relatou que, a partir de 2007/2008, Paulo Roberto Costa começou a pedir a ele para fornecer contas no exterior, ‘a fim de que empreiteiras efetuassem pagamentos de vantagens indevidas’. Segundo o delator, o ex-diretor da Petrobrás informava a qual pagamento era vinculada cada empreiteira. Neste período, afirmou Baiano, ele ‘não atuava em nenhum outro sentido além de prover as contas’.

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“Por vezes, Paulo Roberto lhe informou que alguns dos pagamentos eram vinculados à Queiroz Galvão; que por volta de 2008, iniciou uma amizade com Augusto Costa, e que então Augusto Costa procurou o declarante para que ajudasse em questões da Queiroz Galvão junto a Diretoria de Abastecimento, como agilizar aprovação de aditivos, assinaturas de contratos, etc”, relatou.

Baiano citou ainda Diego Candolo, que teria atuado com o delator no pagamento de propina.

“Por volta de 2010/2011 , passou a tratar diretamente com Augusto Costa sobre repasses de propina a Paulo Roberto Costa, entregando-lhe número de conta no exterior (de Diego Candolo) e dizendo o quanto deveria pagar, a fim de quitar seus compromissos com Paulo Roberto.”

Fernando Baiano afirmou que entregou a Augusto Costa em duas ocasiões números de contas. “O total pago pela Queiroz foi de cerca de R$ 7 milhões, incluindo as ocasiões em que apenas passou contas a Paulo Roberto, não tendo falado diretamente com Augusto Costa.”

De acordo com o delator, quando ele fornecia contas no exterior para pagamentos em favor do ex-diretor da Petrobrás, Diego Candolo lhe confirmava, em seguida, quanto havia entrado, mas não indicava a conta que havia feito a transferência.

“Então comunicava Paulo Roberto que tal quantia havia ingressado nas contas do exterior; que se recorda ainda que, por volta de 2009, provavelmente primeiro semestre, Paulo Roberto lhe pediu para ir falar com Augusto Costa sobre um pagamento a ser feito pela Queiroz Galvão”, disse o delator.

Baiano relatou que procurou Augusto Costa, que lhe disse para pegar cerca de R$ 700 mil em uma sala, em um prédio no centro do Rio. “A sala tinha uma grade externa e parecia ser uma sala de “doleiro”, com estrutura aparentemente temporária; que então foi ao local com uma senha dada por Augusto, e ao dizer a senha recebeu a quantia; que ficou com o dinheiro por alguns dias, e então marcou um encontro com Paulo Roberto em local que não se recorda para entregar o dinheiro.”

A reportagem procurou a defesa de Paulo Roberto Costa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

“A Queiroz Galvão não teve acesso o oficial ao depoimento e não comenta investigações em andamento.”

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