‘Mínimo’ de propina entregue a Argôlo em casa era de R$ 150 mil, diz delator

Rafael Ângulo Lopes detalha ao juiz Sérgio Moro como eram feitos os repasses de propina ao ex-deputado Luiz Argôlo, preso na Lava Jato e acusado de corrupção, lavagem e desvio de dinheiro

Redação

07 de setembro de 2015 | 05h00

Por Mateus Coutinho

Luiz Argôlo foi preso em abril. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Luiz Argôlo foi preso em abril. Foto: Ed Ferreira/Estadão

O funcionário do doleiro Alberto Youssef e delator da Lava Jato, Rafael Ângulo Lopes, admitiu ao juiz Sérgio Moro nesta sexta-feira, 4, que entregava mensalmente pelo menos R$ 150 mil em espécie no apartamento funcional do ex-deputado Luiz Argôlo (ex-PP e hoje afastado do SD-BA), em Brasília. “Toda vez que eu ia (entregar o dinheiro) o mínimo era R$ 150 mil”, afirmou.

Um dos responsáveis pelo controle das entregas de dinheiro da quadrilha de Youssef para políticos, Ângulo depôs na ação em que Luiz Argôlo, preso desde abril deste ano na Lava Jato, é acusado de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro do esquema de desvios na Petrobrás. O funcionário do doleiro detalhou como eram operacionalizados os repasses de dinheiro ao ex-parlamentar, chamado pelo grupo criminoso de “bebê Johnson” e que também visitava Alberto Youssef na capital paulista para pegar propina. Em uma das visitas ao escritório do doleiro em São Paulo, relatou Ângulo, foram entregues R$ 600 mil ao ex-deputado.

VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE RAFAEL ÂNGULO:

Na maioria das vezes, segundo o delator, as entregas eram feitas no apartamento funcional de Argôlo, em Brasília, mas também foram feitas entregas em estacionamentos e em aeroportos. Ângulo revelou ainda que chegou a viajar para Salvador para fazer as entregas ao ex-parlamentar baiano. Os repasses ocorriam de forma variada. “Teve época que ia duas ou três vezes por semana ou até quatro vezes por mês, e às vezes eu ficava até um mês e meio sem ir”, disse.

+ Ex-tesoureiro de Dilma e Mercadante viram alvo de investigação

+ Candidato a vice de Aécio, Aloysio Nunes, do PSDB, é investigado na Lava Jato no STF

Outra prática comum, segundo o delator, era fazer depósitos de dinheiro nas contas indicadas pelo ex-deputado. Argôlo exerceu mandato de deputado federal até o ano passado e não se reelegeu.

Na denúncia contra o ex-parlamentar, o Ministério Público Federal aponta que Youssef – peça central da Operação Lava Jato – pagou móveis, gado, cadeira de rodas e até um helicóptero para o Argôlo e com dinheiro do esquema de corrupção e cartel na Petrobrás. Os procuradores mostram ainda que o ex-parlamentar chegou a usar verba do Congresso para pagar viagens em que foi buscar propina – um total de R$ 1 milhão.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Argôlo para comentar as acusações de Ângulo.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.