Delator diz que emprestou Audi de R$ 400 mil para ex-deputado Squassoni usar em Brasília

Delator diz que emprestou Audi de R$ 400 mil para ex-deputado Squassoni usar em Brasília

Revelações do empresário Mário Jorge Paladino, que serviram de base para a Operação Círculo Vicioso, cita 'pagamentos e vantagens indevidas' para ex-parlamentar preso nesta quinta, 22, por suposto envolvimento em desvios de mais de R$ 100 milhões da Companhia Docas do Estado de São Paulo

Pepita Ortega

22 de agosto de 2019 | 12h37

O ex-deputado federal Marcelo Squassoni. Foto: Will Shutter / Câmara dos Deputados

O empresário Mário Jorge Paladino afirmou, em delação premiada, que emprestou um Audi Q7, carro de luxo avaliado em mais de R$ 400 mil, para que o ex-deputado federal Marcelo Squassoni (PRB/SP) usasse em Brasília, durante seu mandato, entre 2015 e 2019. O próprio parlamentar, preso nesta quinta, 22, pela Polícia Federal na Operação Círculo Vicioso, teria solicitado o veículo, pouco antes de assumir a cadeira na Câmara.

Segundo Paladino, o ex-parlamentar utilizou o carro por dois anos e depois o devolveu. A PF identificou que o veículo recebeu cinco multas de trânsito em Brasília, lançadas entre fevereiro e abril de 2016.

O empresário é dono da MC3 Tecnologia que, em 2016, fechou contrato de R$ 7,3 milhões para digitalização do acervo documental da Companhia Docas do Estado de São Paulo, que administra o porto de Santos – maior complexo portuário da América Latina que responde por um terço das trocas comerciais do País.

Em outubro de 2018, Paladino foi preso no âmbito da Operação Tritão, primeira fase da Círculo Vicioso. Nesta quinta, 22, Squassoni foi preso por ordem do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5.ª Vara Criminal Federal de Santos.

Porto de Santos. Foto: José Patrício/Estadão

Paladino fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e relatou como operava esquema de burla a licitações na Codesp. Ele apontou o o envolvimento do ex-deputado no esquema.

O relato do empresário serviu de base para a Círculo Vicioso.

Squassoni é o alvo principal da ação da PF. Outros 20 investigados tiveram a prisão temporária decretada por Roberto Lemos, entre eles ex-diretores da Companhia Docas e empresários supostamente envolvidos em fraudes e contratos públicos que causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões à Codesp.

Segundo a Procuradoria, Squassoni embolsou R$ 1,6 milhão, entre propinas e repasses concedidos por empresas envolvidas. De acordo as investigações, o ex deputado recebia RS 60 mil mensais em propinas de uma empresa envolvida no esquema.

O empréstimo do carro de luxo estaria entre outros ‘pagamentos e vantagens indevidas’ que Marcelo Squassoni recebeu do esquema relacionado à Codesp, segundo Paladino. O delator conta que conheceu o ex-deputado quando Squassoni era presidente da Câmara Municipal de Guarujá, no litoral paulista, e contratou sua empresa para prestar serviços de digitalização de documentos, ‘fraudando o processo licitatório em troca de propina’.

A investigação da Polícia Federal verificou, com base em extrato de multas do Audi Q7 junto ao Detran do Distrito Federal, que o carro rodava pelas avenidas de Brasília no período em que Squassoni exerceu o mandato, entre 2015 e 2019.

Foram identificadas cinco autuações, entre fevereiro e abril de 2016.

Na delação, Paladino indicou que o veículo emprestado ao ex-deputado seria o mesmo que foi entregue a Ulisses Stonaga de Moraes, autor de um vídeo que deu origem às suspeitas de fraudes na companhia.

 

Na gravação, Carlos Antônio de Souza, então assessor do presidente da Codesp José Alex Botelho de Oliva, afirmava que teria fraudado uma licitação para contratar serviço de digitalização de documentos.

Em seu depoimento, o delator contou ainda que o cheque de R$ 200 mil do ex-deputado que foi encontrado em sua residência durante as buscas da Operação Tritão estava relacionado a um ‘empréstimo verbal’ feito por Squassoni para sua campanha eleitoral em 2014.

Na época, a assessoria de imprensa do deputado informou que a folha de cheque ‘era da campanha eleitoral de 2014’ e seria usada para pagamento de uma gráfica por material de propaganda.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE MARCELO SQUASSONI

Os advogados do ex-deputado Marcelo Squassoni informaram que vão ingressar ainda nesta quinta, 22, na Justiça Federal em Santos, com pedido de revogação da prisão. Squassoni é representado pelos advogados Marcelo Knoepfelmacher, Mariana Figueiredo Paduan e Felipe Locke Cavalcanti.

“Nós entendemos que a prisão do deputado Squassoni é desnecessária e descabida. Ele colaborou desde o início com as investigações e com a Justiça”, disse Marcelo Knoepfelmacher.

O advogado destacou que ‘inclusive quando detinha prerrogativa de foro, ainda em dezembro de 2018, (Squassoni) prestou dpeoimento voluntariamente’.

“Ele não tinha nem obrigação de depor, já que tinha a prerrogativa”, observa Marcelo Knoepfelmacher. “Pelos elementos coligidos nos autos não há nada de novo que justifique a prisão temporária. Ela é descabida e desnecessária.”

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