Delator diz que em 2004 buscou sacola com dinheiro para doação ao PT

Delator diz que em 2004 buscou sacola com dinheiro para doação ao PT

Fernando de Moura, operador de propinas ligado ao ex-ministro José Dirceu, afirmou em sua delação que retirou R$ 650 mil em escritório de lobista e na sede da Camargo Corrêa a pedido de Silvio Pereira, referente a obra de refinaria da Petrobrás

Redação

23 de setembro de 2015 | 05h27

Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

O operador de propinas Fernando de Moura – que segundo a Operação Lava Jato era um dos braços do ex-ministro José Dirceu no esquema de corrupção na Petrobrás – revelou em sua delação premiada que buscou sacolas de dinheiro da empreiteira Camargo Corrêa que era recursos para a campanha eleitoral de 2004. Os valores foram , no escritório do lobista Julio Camargo e na sede da empresa.

“Recebeu das próprias mãos de Julio Camargo algo em torno de R$ 350 mil em uma sacola”, confessou Moura. “Depois de recolher o dinheiro o
declarante entregou a quantia a Silvio Pereira, que lhe disse que
utilizaria o dinheiro para a campanha de 2004”, registrou a delegada
Miliak Marena, da equipe da Lava Jato.

Em 2004, Silvio Pereira – que era secretário-geral do PT – solicitou
que Moura fosse ao escritório de Julio Camargo “buscar uma quantia  em
dinheiro que a Camargo Corrêa estava doando ao Partido dos
Trabalhadores em razão de uma obra na Repar (Refinaria Getúlio Vargas,
no Paraná)”, registra a Polícia Federal no termo de delação 10, de
Moura.

delação doaçao 2004

Nesse mesmo ano, Silvio Pereira pediu novamente que Moura fosse
retirar um  dinheiro no escritório da Camargo Corrêa, na Avenida
Juscelino Kubitschek. “Ao chegar lá, foi recebido por João Auler
(executivo da empreiteira), que lhe entregou a quantia de R$ 300
mil.” O delator diz que a visita pode ser comprovada com o registro
que fez na portaria do prédio.

“Em seguida, o declarante essa quantia a Silvio Pereira, que lhe disse
que os valores seria para pagar despesas da campanha de 2004”,
registrou a PF, em depoimento colhido no dia 28 de agosto.

Fernando Moura foi preso no dia 3 de agosto na Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato, que pegou também o ex-ministro Dirceu. Em troca de benefícios, o empresário fechou acordo de delação premiada, homologado nesta segunda-feira, 21, pelo juiz federal Sérgio Moro.

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Delator diz que voava com secretário do PT para distribuir propinas
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Em um trecho de sua delação, o lobista citou a distribuição de recursos ao PT pelo ex-secretário-geral Silvio Pereira. “A parte do dinheiro destinada ao Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores era entregue em espécie e depois era distribuída para as campanhas; que o declarante chegou a voar com Silvio Pereira para levar dinheiro para as campanhas municipais; que nessa viagem Silvio entregou quantias em espécie para representantes dos Diretórios Regionais do Rio de Janeiro, de Vitória e de Fortaleza; que o dinheiro nunca ia direto das empresas para os Diretórios Regionais, eram operações distintas”, declarou Fernando Moura.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ DIRCEU
A defesa de José Dirceu avalia que a delação de Fernando Moura só confirma que o ex-ministro não foi responsável pela indicação de Renato Duque para a diretoria da Petrobras. Segundo o advogado Roberto Podval, os termos conhecidos do depoimento até aqui também contradizem a própria denúncia do Ministério Público porque em momento algum o delator diz que representava José Dirceu em negócios na Petrobras ou que teria repassado dinheiro ao ex-ministro.

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