Delator diz que comprou Pajero da mulher de Vaccari para Ferreira usar na campanha de 2010

Delator diz que comprou Pajero da mulher de Vaccari para Ferreira usar na campanha de 2010

Ex-vereador do PT contou em delação que Paulo Ferreira pediu que ele comprasse em seu nome caminhonete de R$ 72 mil com dinheiro de dívida a receber de empreiteira alvo da Operação Abismo

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

04 de julho de 2016 | 17h47

João Vaccari Neto chega a seu interrogatório na Lava Jato. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

João Vaccari Neto chega a seu interrogatório na Lava Jato. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

O ex-vereador do PT Alexandre Romano, delator das operações Lava Jato e Custo Brasil, afirmou que em comprou para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira uma caminhonete Pajeto 4X4 da mulher de outro ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto para que ele usasse o veículo em sua campanha a deputado federal, em 2010. O dinheiro, R$ 72 mil, seria referente a propina que ele tinha a receber da empresa Construbase. Os envolvidos são alvos da 31ª fase da Lava Jato deflagrada nesta segunda-feira, 4, batizada de Operação Abismo, que apura corrupção nas obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás, no Rio.

“Paulo Ferreira, em novembro de 2009, pediu para que o depoente comprasse um veículo ede Giselda Rousie de Lima, esposa de João Vaccari”, afirma Romano, no Termo de Colaboração 21, prestado no dia 27 de outubro e revelado nesta segunda, nos autos da Operação Abismo. “Comprou o veículo Mitsubishi Pajero, no valor de R$ 72 mil.”

O delator afirma que “a origem destes R$ 72 mil era um crédito que Paulo Ferreira tinha com a Construbase”. A empreiteira é uma das integrantes do Consórcio Novo Cenpes, vencedor das obras de ampliação do centro de pesquisas, no Rio, em 2010, que teria envolvido propinas de pelo menos R$ 39 milhões – parte dela para o PT, via Ferreira.

DELAÇÃO ROMANO PAJERO VACCARIChambinho, como é conhecido o delator, afirmou que nunca usou o carro. “O veículo ficou em poder de Paulo Ferreira, que o utilizou para a campanha dele de deputado federal em 2010.” O ex-tesoureiro petista, preso desde o dia 26 alvo da Operação Custo Brasil e com nova prisão decretada na Abismo, disputou uma vaga na Câmara pelo PT.

Vaccari. Romano detalhou que foi até a casa de Vaccari para negociar o carro e pagou a Vaccari, com dois cheques depositados na conta da mulher. “Foi até a residência de João Vaccari para ver o veículo e tratar da compra.”

Um ano depois, a Pajero da mulher de Vaccari foi vendida por R$ 50 mil para uma pessoa indicada por Paulo Ferreira. “O pagamento foi feito no valor de R$ 50 mil diretamente para Paulo Ferreira, pelo adquirente do veículo”, explica Romano, que diz não ter recebido tal valor. “Em nenhum momento o veículo ficou em poder do depoente.”

As negociações de compra e venda do carro foram registradas no Imposto de Renda do delator, destacado nos autos da Operação Abismo.

IR ROMANO PAJETO

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