Delator diz que Andrade Gutierrez pagou propinas para PMDB

Paulo Roberto Costa disse à PF que operador do partido no esquema de corrupção na Petrobrás “tem negócio em comum” com presidente da empreiteira

Redação

23 de janeiro de 2015 | 03h00

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Operação Lava Jato, afirmou que a empreiteira Andrade Gutierrez pagou propinas para o PMDB.

Segundo Costa, os valores foram “cobrados e geridos” pelo empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como lobista e operador do partido no esquema de corrupção que se instalou na estatal petrolífera.

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Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema

O delator afirmou à Polícia Federal, em relato de 7 de setembro de 2014, que a partir de 2008 ou 2009 a cobrança à Andrade Gutierrez passou a ser feita por Fernando Baiano, não mais pelo doleiro Alberto Youssef – personagem central da Lava Jato.

Paulo Roberto Costa contou que a empreiteira, mesmo após “ganhar algum contrato” sob responsabilidade de sua diretoria “custava a depositar o valor devido ao PP”.

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Costa foi indicado para o comando da Abastecimento em 2004 pelo então deputado José Janene (PP/PR), morto em 2010. O PP, segundo o delator, era o destinatário de porcentual sobre contratos fraudulentos afetos à Diretoria de Abastecimento.

Com a substituição de Youssef por Fernando Baiano, o PMDB passou a ser contemplado com a propina.

Ele relatou que Fernando Baiano mantém “proximidade” com o empreiteiro Otávio Azevedo, presidente da holding Andrade Gutierrez. Ele declarou ainda que o lobista “tem algum negócio em comum” com Azevedo.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

Em nota, a Andrade Gutierrez contestou com veemência a versão do delator da Lava Jato, Paulo Roberto Costa. A empresa afirmou que nunca fez parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos.

LEIA A ÍNTEGRA DO ESCLARECIMENTO DA ANDRADE GUTIERREZ

“A Andrade Gutierrez nega e repudia as acusações – baseadas em ilações e não fatos concretos – feitas pelo sr. Paulo Roberto Costa em seu depoimento divulgado hoje (23) e afirma, como vem fazendo desde o início das investigações, que nunca fez parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos, a Petrobrás e a empresa. Cabe lembrar que em depoimentos já concedidos à Polícia Federal pelos srs. Alberto Youssef e Fernando Soares e divulgados pela imprensa, os mesmos deixaram claro que não há qualquer envolvimento da companhia e seus executivos com os assuntos relacionados às investigações da Operação Lava Jato. A Andrade Gutierrez reitera mais um vez que não tem ou teve qualquer envolvimento com os fatos relacionados com as investigações em curso.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE FERNANDO BAIANO

Em depoimentos à Polícia Federal, Fernando Baiano negou que tenha pago propina na Petrobrás. O criminalista Nélio Machado, que o defende, afirmou que só vai se manifestar sobre o teor dos depoimentos de Paulo Roberto Costa no âmbito de seu acordo de delação após ter acesso à íntegra do teor dos depoimentos.

COM A PALAVRA, O PMDB

O partido vem negando que tenha participado do esquema de pagamento de propinas na Petrobrás e também nega que Fernando Baiano seja operador da sigla.