Delator disse que mandou buscar dinheiro da WTorre para ex-gerente da Petrobrás

Delator disse que mandou buscar dinheiro da WTorre para ex-gerente da Petrobrás

De R$ 400 mil a R$ 600 mil foram dados a Pedro Barusco e Renato Duque, ex-gerente e ex-diretor da estatal, a título de 'boa vontade', em negócio de estaleiro; empresa também teria recebido R$ 18 milhões para desistir de obra do Centro de Pesquisas

Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Vitor Tavares

06 de julho de 2016 | 05h00

O operador de propinas Mário Góes, delator que teria movimentado dinheiro da WTorre / Foto: Reprodução

O operador de propinas Mário Góes, delator que teria movimentado dinheiro da WTorre / Foto: Reprodução

A WTorre Engenharia e Construção S.A. – que recebeu R$ 18 milhões para desistir da obra do Centro de Pesquisas da Petrobrás – pagou de R$ 400 mil a R$ 600 mil a título de “boa vontade” para um ex-gerente e um ex-diretor da estatal, que eram da cota do PT no esquema de loteamento dos cargos para arrecadação de propinas alvo da Operação Lava Jato. O dinheiro foi entregue entregue via operador de propinas Mário Góes, que confessou em delação premiada ter cuidado do repasse e indicou o caminho dos registros da operação, uma corretora de valores, em São Paulo. As tratativas teriam relação com a construção de um estaleiro no Rio Grande do Sul.

“De fato o declarante e Carlos Veiga (representante da WTorre) trataram dos pagamentos a serem feitos pela WTorre a Pedro Barusco, tendo sido acerta que os valores seriam pagos em espécie, pelo que o declarante acionou a Miguel Julio Lopes da corretora Ad Valor para que buscasse o dinheiro”, afirmou Mário Góes, em seu Termo de Colaboração nº 12. Barusco era o gerente de Engenharia, braço direito do diretor de Serviços, Renato Duque, que também fez delação.

DELAÇÃO MARIO GOES SOBRE WTORRE

“Acredita que o total pago pela WTorre tenha sido de cerca de 500 a 600 mil reais, sendo que o ingresso de todos os valores recolhidos por Miguel Julio Lopes a pedido do declarante se encontram devidamente registrados na conta de investimentos que possuía junto a referida corretora AD Valor.”

O depoimento prestado no dia 12 de julho de 2015 foi anexado aos aut0s da Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, que apura propina de R$ 39 milhões na contratação das obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), em 2010. A WTorre teria recebido R$ 18 milhões do consórcio vencedor da obra, encabeçado pela OAS, para desistir da concorrência.

Mário Góes deu detalhes da atuação de Lopes, como responsável pela movimentação de valores de propina operadores por ele em nome de Barusco. À Lava Jato, o ex-gerente da Petrobrás confessou cuidar da corrupção dirigida ao ex-diretor Renato Duque – preso em Curitiba, desde março de 2015.

juli ad valor

Burusco também fechou delação premiada. Foi ele que confessou inicialmente ter recebido de R$ 400 a R$ 600 mil da WTorre, via Mário Góes. “Carlos Eduardo Veiga se ‘acertou’ com Mário Góes para oferecer a referida quantia ao colaborar e Renato Duque, para obter uma ‘boa interlocução’ e a ‘boa vontade’ de ambos no acolhimento das demandas que a WTorre estava apresentando em decorrência do projeto do Estaleiro Rio Grande”, afirmou Barusco, em 23 de abril de 2015.

“Os R$ 400 mil ou R$ 600 mil acima citados, foram os valores efetivamente recebidos pelo colaborador, em nome próprio e de Duque”, conta Barusco.

DELAÇÃO BARUSCO WTORRE

O juiz federal Sérgio Moro determinou que Walter Torre fosse levado coercitivamente para depor. Seu nome já era alvo das investigações por causa do dinheiro repassado a Barusco e ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – ambos indicados pelo PT. Os pagamentos seriam por causa da obra da WTorre de construção do Estaleiro Rio Grande, comprado em 2007 pela Engevix – do cartel alvo da Lava Jato.

Dois ex-ministros são investigados por suspeita de propina nesse negócios. José Dirceu, preso e condenado pela Lava Jato em Curitiba., E o ex-ministro Antonio Palocci, alvo de inquéritos.

 COM A PALAVRA, A WTORRE

A WTorre esclarece que:

Participou e venceu concorrência organizada, em 2005, pela Rio Bravo Investimentos S/A DTVM, entidade privada reconhecida pelo mercado,  administradora de um Fundo de Investimento Imobiliário, registrado na Comissão de Valores Mobiliários como RB Logística FII sob o código RBSC04 e na Câmara de Liquidação e Custódia – Cetip sob o número BRBCSA004.

Os critérios estabelecidos pela carta convite eram:

a)      Concessão de terreno para a construção da infraestrutura;

b)     Projeto e construção da infraestrutura;

c)      Administração da infraestrutura e

d)     Percentual de participação pelo FII

A WTorre concorreu com varias empresas renomadas e sagrou-se vitoriosa apresentando a melhor equação financeira para construção do estaleiro na cidade de Rio Grande/RS. A construção da infraestrutura aconteceu com investimentos privados, sem nenhuma verba pública. Registre-se que, o referido processo licitatório não tinha qualquer ligação com outras licitações feitas diretamente pela Petrobras para a construção de plataformas..

De acordo com o estabelecido pelo Fundo, este se responsabilizaria por investimento proporcional, tendo como contrapartida o uso exclusivo da infraestrutura construída, ao passo que o investimento sob responsabilidade do vencedor da licitação teria como contrapartida a posse da infraestrutura após este período (de DEZ anos). Foi este direito que a WTorre vendeu para a Engevix – uma empresa privada, esta sim vencedora de outra concorrência para construção de plataformas, daí seu interesse pela compra do estaleiro.

Por fim, a  WTorre esclarece que não realizou e não autorizou quem quer que seja a fazer qualquer pagamento em seu nome.

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