Delator ‘descobre’ conta de R$ 12 milhões em Montevidéu

Augusto Mendonça, dono da Setal Óleo e Gás, disse à Justiça que parte do dinheiro movimentado por ele no exterior não foi para propinas no âmbito da Petrobrás

Redação

27 de agosto de 2015 | 18h36

Por Mateus Coutinho

Foto: Fábio Motta/Estadão

Foto: Fábio Motta/Estadão

O delator da Lava Jato Augusto Ribeiro Mendonça Neto, dono da Setal Óleo e Gás, disse ao juiz Sérgio Moro que cerca de R$ 12 milhões  movimentados por meio de offshores no exterior não tiveram como destino propinas a funcionários da Petrobrás e sim uma de suas próprias empresas. O executivo, contudo, não explicou por que não declarou em seu Imposto de Renda a quantia mantida no exterior.

“Então a correção que eu queria fazer é que uma parte dos recursos que transitaram por estas empresas Soterra (Terraplanagem) Rock Star (marketing) e as outras relativas ao sr. (Adir) Assad (lobista preso na Lava Jato) não se destinaram ao Renato Duque e sim a uma companhia nossa”, afirmou Augusto Mendonça. De acordo com o executivo, os recursos eram de sua própria empresa e não tinham relação nenhuma com contratos com a estatal petrolífera.

CONFIRA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE AUGUSTO MENDONÇA NESTA QUINTA-FEIRA, 27:

A correção do delator foi feita em uma das duas ações em que ele é réu na Justiça Federal do Paraná acusado de formação de cartel e pagamento de propinas referentes às licitações das obras das refinarias presidente Getúlio Vargas – Repar, em Araucária (PR) e de Paulínia – Replan, no interior de São Paulo, vencidas por sua empresa.

O próprio delator admitiu ter utilizado as contas das empresas de Adir Assad, um dos lobistas presos na Lava Jato, no exterior para movimentar a propina paga a Pedro Barusco, Renato Duque e Paulo Roberto Costa referentes a estas obras.

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Ao afirmar que parte do dinheiro movimentado pelas contas de Adir Assad não tinha relação com os pagamentos ilegais, Augusto Mendonça foi questionado por Sérgio Moro sobre o porquê de só ter revelado isso agora. “Eu não havia associado essa questão, para mim não tínhamos feito essa remessa por este caminho”, disse.

O delator ainda revelou que este montante, de cerca de R$ 12 milhões, ficava em uma agência do Royal Bank of Canadá, em Montevidéu, no Uruguai em nome de uma empresa sua chamada Saninvest. Posteriormente, segundo ele, a agência foi fechada e o dinheiro desta conta foi enviado ao banco UBS na Suíça e atualmente está em nome de outra empresa sua chamada Verancnunc.

Apesar de ter afirmado que entregou as informações sobre estas contas no exterior ao Banco Central, Augusto Mendonça admitiu que não havia declarado às autoridades esta quantia na época das licitações da Petrobrás, em 2007 e 2008. Segundo ele, a “exigência” para declarar a quantia mantida no exterior ao Banco Central só veio posteriormente. Ele também negou que tenha declarado o montante em suas declarações de Imposto de Renda.

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