Delator da Lava Jato revela nova operadora de contas na Suíça

Mário Góes contou que o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco lhe apresentou Denise Kos, que administrava no país europeu a conta Maranelle, utilizada para recebimento de propinas no exterior

Redação

30 de julho de 2015 | 17h10

Por Mateus Coutinho e Julia Affonso

Foto: Reprodução

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Em seu depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 28, o novo delator da Lava Jato e operador para a Diretoria de Serviços da Petrobrás Mário Góes revelou aos investigadores a atuação de uma nova operadora de contas para movimentar propinas na Suíça. Ela se chama Denise Kos, segundo o delator.

Até então, a Lava Jato e o Ministério Público Suíço já estavam investigando Bernard Freiburghaus, que, segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, cuidava das contas do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa – este recebia propinas da Odebrecht no esquema de desvios na estatal, diz a Lava Jato.

De acordo com Mário Góes, o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco o apresentou a Denise Kos para a criação da empresa Maranelle e da conta de mesmo nome na Suíça “tendo o declarante apenas fornecido seus dados e a sua documentação, que a partir de então passou a manter contatos constantes com Denise, tanto por telefone como pessoalmente”, relatou Góes, que atuava como procurador da conta na Suíça.

Ele disse ainda que Denise é brasileira e mora na Suíça. O próprio Barusco, em sua delação, entregou aos investigadores documentos da conta Maranello e admitiu que era uma das utilizadas para o recebimento de propinas no exterior.

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Góes revelou ainda que “periodicamente” Barusco lhe perguntava se a conta havia recebido depósitos e que, nestes casos, o ex-gerente da Petrobrás “providenciava” para Góes um contato telefônico com Denise para que ele conferisse as informações sobre as transações. “Essas ligações eram feitas pelo sistema Voip não recordando o nome da empresa no momento”, disse o delator.

Góes admitiu que mantinha extratos e outros registros da conta, mas que, no começo de 2014, Barusco pediu a ele que destruísse toda a documentação, pois estava preocupado com a investigação do caso SBM no exterior, e também pediu que Denise encerrasse a conta Maranello.

Além da investigação na Lava Jato, Pedro Barusco também está na mira das autoridades suíças pelas propinas que ele admitiu ter recebido da holandesa SBM Offshore desde a década de 1990. No ano passado, os suíços bloquearam US$ 67 milhões do executivo no exterior antes de ele ser enquadrado pelas autoridades brasileiras.

No depoimento nesta terça, 28, Mário Góes revelou ter ouvido de Barusco que Denise Kos foi apresentada a ele por Julio Faerman, representante da SBM que negociou propina com Barusco desde o primeiro contrato de navio-plataforma da Petrobrás na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Com o depoimento, a força-tarefa pode abrir mais uma frente para investigar o complexo esquema das empreiteiras para repassar propinas aos ex-executivos da Petrobrás no exterior que envolvia empresas de fachada, offshores e até subsidiárias de empreiteiras brasileiras no exterior. Desde o ano passado, as investigações da Lava Jato contam com a colaboração das autoridades suíças, que também investigam indícios de lavagem de dinheiro do esquema da Petrobrás nos bancos daquele país.

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