Delator da Lava Jato pede a Moro ares serranos para recomeçar

Delator da Lava Jato pede a Moro ares serranos para recomeçar

Mario Góes solicitou autorização ao juiz da Lava Jato para ir a Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana, no Rio 'se recolocar profissionalmente'; Procuradoria da República concordou, mas pediu que a defesa apresente documentos que comprovem reuniões profissionais

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

27 de novembro de 2016 | 06h15

Mário Góes prestou depoimento em ação da Andrade Gutierrez. Foto: Reprodução

Mário Góes prestou depoimento em ação da Andrade Gutierrez. Foto: Reprodução

Um dos delatores da Operação Lava Jato, Mario Góes pediu ao juiz federal Sérgio Moro para viajar a Teresópolis e Petrópolis, cidades da Região Serrana do Rio, para ‘se recolocar profissionalmente’. Mário Góes declarou ao magistrado que não está exercendo ‘atividades laborais’, porque ainda não conseguiu vaga no mercado de trabalho.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Mario Góes atuou como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, no esquema de corrupção instalado na estatal. Capturado em fevereiro de 2015, na Operação My Way, 9ª fase da Lava Jato, ele fechou acordo de delação premiada e deixou a prisão em julho do ano passado.

Na solicitação a Sérgio Moro, a defesa de Mario Góes argumentou a pena de prestação de serviços comunitários estava marcada para iniciar em 16 de novembro.

“Consta do acordo que o colaborador pode realizar viagens, inclusive internacionais”, afirmou a defesa a Moro. “No atual momento, o colaborador esclarece que não pretende realizar viagens internacionais ou nacionais distantes, mas pretende realizar deslocamentos próximos à Comarca do Rio de Janeiro, com idas esporádicas à região de Teresópolis (90 quilômetros) e Petrópolis (70 quilômetros), até mesmo para que possa buscar novas oportunidade de recolocação profissional, sem prejuízo da prestação de serviços à comunidade.”

A defesa declarou que se Moro autorizar as viagens, ‘cada um dos deslocamentos será registrado no próximo Relatório Trimestral a ser apresentado oportunamente’.

Em manifestação ao magistrado, na quinta-feira, 24, a Procuradoria da República concordou com a solicitação, mas pediu que a defesa de Mario Góes apresente ‘os comprovantes de viagem (passagens, se existentes, hospedagens, etc), bem como documentos que demonstrem a realização das reuniões profissionais de que participará (comunicações eletrônicas, reservas, dentre outros)’.

Segundo o Ministério Público Federal, ‘no que tange à realização de viagens internacionais, há autorização tão somente para viagens destinadas ao tratamento da saúde do colaborador’.

Mário Góes foi condenado em setembro de 2015. O lobista pegou 18 anos e 4 meses de prisão por corrupção, de lavagem e de associação criminosa, mas cumpre pena acertada em seu acordo de delação premiada.

 

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoMario Goes

Tendências: