Delator da Lava Jato cita diretor da Eletrobrás

Redação

13 de julho de 2015 | 06h00

Em delação premiada, o dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, afirmou que o diretor da Eletrobrás Valter Luiz Cardeal teria negociado propina em setembro do ano passado em contrato de R$ 2,9 bilhões do consórcio Una 3 – formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC – para obras na Usina de Angra 3. A informação foi divulgada pela revista Veja desta semana.

Segundo a revista, Pessoa disse que a Eletrobrás pediu um desconto de 10% ao consórcio, que aceitou um abatimento de 6%. A diferença teria ido para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT), segundo Pessoa. Cardeal teria avisado os petistas sobre os quatro pontos porcentuais de diferença e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso pela Operação Lava Jato, teria procurado o empreiteiro para exigir o pagamento.

O executivo foi denunciado pelo Ministério Público por gestão fraudulenta e desvio de recursos. Conforme a publicação, Pessoa disse que também repassou R$ 3 milhões do contrato de Angra 3 a integrantes do PMDB.

Em nota, a Eletrobrás informou que não tinha conhecimento da citação a um de seus dirigentes e afirmou que a imprensa tem se baseado em “acusações de corruptos confessos, que não apresentam provas”.  Procuradas, a UTC e a Odebrecht não se pronunciaram até a conclusão desta reportagem. O PT também não se manifestou.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ: 

“A Andrade Gutierrez vem sendo consultada com frequência sobre informações contidas em documentos a que não teve acesso e esclarece que não se manifestará sobre tais conteúdos. No entanto, a companhia reitera que nunca participou de formação de cartel ou fraude em licitações, assim como nunca fez qualquer tipo de pagamento indevido a quem quer que seja, nem participou de esquemas ilícitos de favorecimento a políticos.”

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA

Quem pode responder por essa demanda é a empresa líder do consórcio, a UTC.

Tudo o que sabemos sobre:

Eletrobrásoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.