Delator da J&F desafia Funaro sobre dinheiro no bunker

Delator da J&F desafia Funaro sobre dinheiro no bunker

Diretor jurídico Francisco de Assis e Silva diz que nunca deu dinheiro ao doleiro e afirma desconhecer inscrições de banco ligado à holding nas cédulas encontradas na fortuna de R$ 51 milhões atribuída a Geddel e Lúcio Vieira Lima

Luiz Vassallo e Fabio Serapião

29 Novembro 2017 | 19h45

O advogado, Francisco de Assis e Silva em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI da JBS ) FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

O diretor jurídico da J&F Francisco de Assis e Silva rebateu, nesta quarta-feira, 29, a versão de Lúcio Funaro sobre as notas do bunker dos R$ 51 milhões atribuídos a Geddel e Lúcio Vieira Lima. O doleiro afirmou à PF reconhecer uma marca do Banco Original, pertencente à holding, nos papeis que envolviam os maços de dinheiro encontrados no apartamento em salvador, alvo da Operação Tesouro Perdido. Já o delator da J&F diz nunca ter dado dinheiro a Funaro e também alega não reconhecer a tal marca no material usado para envolver as cédulas.

O depoimento de Funaro consta em relatório que atribuiu lavagem de dinheiro e associação criminosa aos irmãos peemedebistas, seus homens de confiança, Job Brandão e Gustavo Ferraz, e à matriarca da família, Marluce Vieira Lima.

Para a PF, as investigações sobre o apartamento em Salvador aonde foram encontrados R$ 51 milhões no âmbito da Operação Tesouro Perdido revelam indícios de corrupção passiva conexos com a Operação Cui Bono?, que investiga Geddel por desvios à época em que era vice-presidente da Caixa Econômica Federal.

Um dos depoimentos que embasaram a tese de que o dinheiro do bunker tem origem ilícita é o de Funaro.

Ao ser apresentado a fotos dos maços de dinheiro encontrados no bunker de Salvador, Funaro disse reconhecer referências ao Banco Original do Agronegócio, da J&F. “Lúcio Funaro informou que os valores envoltos em ligas, com um pedaço de papel onde havia impresso o valor constante do maço de dinheiro, era exatamente como retirava o dinheiro dos seus doleiros e repassava para Geddel”, afirmou a PF no relatório.

O operador ainda “mencionou que o dinheiro envolto com cinta contendo a inscrição ‘BOA’, era na verdade uma referência ao Banco Original do Agronegócio”. Segundo o relatório, Funaro disse “sabia disso porque já teria recebido dinheiro da mesma maneira do diretor jurídico do Grupo J&F Investimentos, senhor Francisco de Assis, e na ocasião o alertou sobre a facilidade de rastreamento do dinheiro”.

O diretor jurídico da J&F, no entanto, rebate a versão do delator e afirma que ‘refuta veementemente a versão de Lúcio Funaro de que teria dado dinheiro ao doleiro’.

Ele também afirma que ‘desconhece que a inscrição BOA, numa cinta envolvendo dinheiro, se refira a Banco Original do Agronegócio, como Funaro disse em depoimento à Polícia Federal’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO BRUNO ESPIÑEIRA, QUE DEFENDE FUNARO

O advogado afirmou que Funaro ‘seguirá colaborando com as autoridades, como vem fazendo, de modo claro e efetivo.

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