Delator da Carioca diz que deu sacola de dinheiro a ‘barrigudo’ de 70 anos com suspensório

Delator da Carioca diz que deu sacola de dinheiro a ‘barrigudo’ de 70 anos com suspensório

Engenheiro João Tebyriça revela aos investigadores da Operação Tatuzão/Tolypeutes um novo personagem do esquema de propinas instalado na área de Transportes dos governos Sérgio Cabral e Pezão

Julia Affonso e Mateus Coutinho

15 Março 2017 | 13h51

Rua do Carmo, 17. Foto: Reprodução/Google Street View

Rua do Carmo, 17. Foto: Reprodução/Google Street View

O engenheiro civil João Henrique Tebyriça de Sá, que faz parte do acordo de leniência da Carioca Engenharia na Operação Lava Jato, relatou à Procuradoria da República no Rio que entregou uma sacola de dinheiro a ‘um senhor de 70 anos, grisalho, um pouco careca, usando suspensórios, um pouco barrigudo’. Os valores estavam relacionados às obras da linha 4 do Metrô do Rio, alvo da Operação Tatuzão/Tolypeutes, deflagrada nesta terça-feira, 14.

O depoimento foi prestado em 8 de fevereiro. O engenheiro narrou que esteve duas vezes na Rua do Carmo, 17, com José Bahia, funcionário da empreiteira Queiroz Galvão, e Ronaldo Bittencourt, da Odebrecht.

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Segundo Tebyriça, sua função e também de Bittencourt ‘era servir de testemunha para José Bahia que os valores foram entregues nos locais mencionados’.

“Sabe que era dinheiro que estava sendo entregue pois ajudou José Bahia a contar”, revelou. “Se recorda que no endereço na Rua do Carmo havia uma sala de reunião que havia mais de 50 carrancas; que foram atendidos na ocasião por um senhor de 70 anos, grisalho, um pouco careca, usando suspensórios, um pouco barrigudo que recebeu uma sacola de compras com o dinheiro”, contou.

A Tatuzão/Tolypeutes prendeu preventivamente Luiz Carlos Velloso, subsecretário de Turismo do Governo Pezão (PMDB), e o diretor de Engenharia da Riotrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior. Os dois investigados são suspeitos de receber propina sobre as obras do Metrô.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que Velloso e Heitor estão na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.

No depoimento, João Tebyriça afirmou à Procuradoria-Geral da República que foi empregado da Carioca entre 1996 e 2016. O engenheiro foi gerente comercial da empreiteira no Consórcio Rio Barra durante toda a obra.

“Durante a obra da Linha 4 do Metrô, antes de outubro/2014 e depois de 2010, o depoente acompanhou um funcionário da Queiroz Galvão chamado José Baía para entregar dinheiro de propina cujo destinatário final seria alguém da Secretaria de Transportes”, declarou. “Não sabe dizer a quem era destinada a propina, mas sabe dizer que o valor era entregue a uma pessoa que poderia ser um intermediário do destinatário final da propina.”

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO

“A Construtora Queiroz Galvão Brasil não comenta investigações em andamento.”

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A empresa não vai se manifestar.”

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE TURISMO

“A respeito dos recentes fatos, a Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro tem a declarar que o Sr. Luiz Carlos Velloso, vem exercendo as funções de Subsecretário Executivo na Setur-RJ desde janeiro de 2015, com lealdade e competência.”

COM A PALAVRA, A RIOTRILHOS

“A RioTrilhos desconhece o teor das acusações e se coloca à disposição para eventuais esclarecimentos.”