Delator da Andrade Gutierrez detalhou reunião no Palácio Guanabara com Cabral

Rogério Nora de Sá, ex-presidente da empreiteira, depôs nesta terça-feira, 7, ao juiz Moro na ação em que peemedebista preso é réu por propina

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

08 Março 2017 | 12h07

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

O executivo Rogério Nora de Sá, um dos delatores da Andrade Gutierrez na Operação Lava Jato, declarou em depoimento nesta terça-feira, 7, que Sérgio Cabral (PMDB) pediu propina dentro do Palácio de Guanabara durante sua gestão à frente do Estado do Rio. O Palácio Guanabara é a sede do governo fluminense.

Na reunião, segundo o empreiteiro, estavam ainda outro executivo da Andrade Gutierrez e Wilson Carlos, braço direito e secretário de governo de Sérgio Cabral.

“Houve uma reunião no Palácio com o governador e o Wilson Carlos na presença do nosso representante comercial Alberto Quintaes e foi dito que o Wilson Carlos é que coordenaria essa divisão das obras e que sobre essas obras haveria um pagamento de 5% sobre as faturas das obras que as empresas executassem”, relatou o empreiteiro.

O procurador Athayde Ribeiro Costa questionou se a empresa havia concordado ‘com esses pedidos’.

“Concordou”, respondeu o executivo.

Segundo Nora de Sá, a Andrade Gutierrez não fez todos os pagamentos, ‘porque a empresa sempre teve dificuldade em conseguir os recursos, mas cumpriu um número significativo’.

“Wilson Carlos definia a quem era entregue (a propina)”, afirmou.

“Foram pagos R$ 2,7 milhões referentes a nossa participação. Esse pagamento era efetuado pelo Alberto Quintaes com recursos de caixa 2 que ele pegava junto com o diretor financeiro da empresa.”

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