Delator confirma Andrade Gutierrez em cartel alvo da Lava Jato

Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que empreiteira combinou obra no Comperj, no Rio, e cedeu sede para reuniões do grupo que atuava na Petrobrás

Redação

15 de setembro de 2015 | 14h20

Dalton Avancini. Foto: Reprodução.

Dalton Avancini. Foto: Reprodução.

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

O ex-presidente da divisão de Engenharia da Camargo Corrêa Dalton dos Santos Avancini confirmou em depoimento à Justiça Federal, na manhã desta terça-feira, 15, a existência do cartel em contratos da Petrobrás e detalhou o suposto envolvimento da empreiteira Andrade Gutierrez, no esquema de fraudes e propina em contratos da estatal.

“Existiram reuniões, quando se decidiu quem  seriam os vencedores do Comperj”, afirmou Avancini ao ser ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, em ação penal contra executivos da Andrade Gutierrez.

As obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), iniciadas em 2008, por mais de US$ 8 bilhões, foi alvo da divisão de obras entre empresas do cartel, alvo da Lava Jato. Foi nesta obras que foi montando a tabela do “Bingo Fluminense”, que classificava os pacotes de obras como torneio e previa os contratos como prêmios.

Avancini apontou que as reuniões do cartel foram feitas inclusive na sede da Andrade Gutierrez – empresa que seria do grupo de líderes do grupo. Um dos encontros citados por ele teria ocorrido em 12 de setembro de 2011. Ele apontou o executivo Elton Negrão como representante de contato da empreiteira.

“Tinham várias dessas reuniões. Por isso não me recordo de detalhes destas reuniões. Mas esta reunião foi mencionada porque é uma reunião que foi feita na sede da Andrade, já em 2011, e acredito que um dos motivos dessa reunião discussões do projeto do Comperj que estavam por vir”, afirmou Avancini, ao ser questionado pelo procurador da Repúblico Paulo Roberto Galvão.

Segundo o executivo da Camargo, houve direcionamento dos contratos dentro das reuniões do cartel. “Essas decisões não se tomavam em uma reunião. Havia um direcionamento que vinha sendo construído e provavelmente nessa reunião foi para se confirmar isso.”

Delator da Operação Lava Jato, Avancini foi ouvido na ação penal em que são réus o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e executivos da empreiteira – uma das líderes do esquema de corrupção na Petrobrás que pagava propinas de 1% a 3% nos contratos da estatal para o PT, PMDB e PP.

Regra. O delator afirmou que “todas as empresas pagavam propina”. “Era uma regra e todo mundo pagava.”

Questionado pelo juiz Sérgio Moro, Avancini explicou que a propina paga pelo cartel era repassado à Petrobrás dentro do custo da obra. “Na formação de preço já se incluía que haveria esse 1% que seria pago como propina para as diretorias”, explicou o executivo.

Segundo o ex-presidente da Camargo, o valor era embutido em forma de provisão no item “contingências”.

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