Delator confirma a Moro que R$ 12 mi de terreno do Instituto Lula saiu da conta ‘Amigo’

Hilberto Silva, o chefão do setor de propinas da Odebrecht, diz que dinheiro usado para comprar área para sediar instituto saiu da 'conta' de R$ 128 milhões do PT controlada por 'Italiano', o codinome usado para Palocci

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

07 de junho de 2017 | 20h44

Hilberto Mascarenhas. Foto: Reprodução

O chefão do Setor de Operação Estruturadas da Odebrecht – o departamento da propinas, que movimentou US$ 3,3 bilhões – Hilberto Mascarenhas Alves da Silva confirmou nesta quarta-feira, 7, ao juiz federal Sérgio Moro que os R$ 12 milhões usados para compra de um terreno, que abrigaria a sede do Instituto Lula, em São Paulo, saiu do saldo da “conta Amigo” – que era uma referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A conta em nome do “Amigo” chegou a ter R$ 35 milhões de créditos, segundo documento apreendido no setor de propinas da Odebrecht. Era uma subconta dentro da “conta-corrente” do PT para campanhas presidenciais intitulada “Planilha Italiano”. Quem controlava seria o ex-ministro Antonio Palocci – o “Italiano” no dicionários de cifras da empreiteira -, e o valor total em 2013 chegou a ser de R$ 128 milhões.

O valor era contrapartida pelos negócios obtidos pela Odebrecht com o governo federal, em negócios na Petrobrás, nos bancos estatais, nas obras de usinas, ferrovias, aeroportos e outros setores.

Hilbert Silva depôs na Justiça Federal como testemunha de acusação do petista no âmbito de ação penal sobre propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente. Os valores teriam chegado a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobrás e incluíram terreno de R$ 12,5 milhões supostamente destinado a abrigar a sede do Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campos de R$ 504 mil.

“O dinheiro saiu do caixa 1 da empresa, comprando um terreno”, afirmou o chefão das propinas, ao ser questionado pela procuradora da República Isabel Groba.

Silva explicou que os recursos “não saíram” de seu caixa. “Mas como não tinha como debitar ao interessado, foi debitado aqui. Ou melhor, foi reduzido o valor do crédito que eles tinham. Você não compra um terreno com recursos em espécie na mão”, afirmou o delator.

Moro quis saber quem era o interessado, que teve o custo da compra debitado. O delator respondeu: “o dono do Instituto Lula”.

O valor de R$ 12 milhões está identificado como “Prédio IL” na planilha, que tem como origem propinas para o PT. O terreno foi comprado pela empresa DAG Construções, de um amigo de Odebrecht, o empresário baiano Demerval Gusmão, que depois teve os valores compensados.

 

O dono da empresa, Marcelo Bahia Odebrecht, que está preso desde junho de 2015, confirmou no dia 10 do último mês a Moro Lula é o “Amigo” da planilha de propinas milionárias da empreiteira. Confirmou ainda que ‘Italiano’ era Palocci, ex-Fazenda/Lula e ex-Casa Civil/governo Dilma Rousseff, e ‘Pós Itália’ era referência a Guido Mantega, que também ocupou a pasta da Fazenda.

Lula é acusado por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos firmados entre a Petrobrás e a Odebrecht. São acusados ainda nesta ação, em fase inicial, o empresário Marcelo Odebrecht, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Palocci e Branislav Kontic, seu ex-assessor, ambos denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e, ainda, Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques e Roberto Teixeira, por suposta lavagem de dinheiro.

Tendências: