Delator assinou carta de renúncia a mando de Cunha

Delator assinou carta de renúncia a mando de Cunha

Em depoimentos, Fábio Cleto disse que documento poderia ser usado pelo deputado se ele não colaborasse com esquema de corrupção

Fábio Fabrini e Fábio Serapião, de Brasília

01 de julho de 2016 | 07h43

Eduardo Cunha. Foto: Fernando Bizerra Jr - 19 de maio de 2016

Eduardo Cunha. Foto: Fernando Bizerra Jr – 19 de maio de 2016

O ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto contou em delação premiada que, logo após sua nomeação para o cargo, em 2011, foi obrigado a assinar uma carta de renúncia que poderia ser usada pelo seu padrinho político, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando quisesse. A colaboração do ex-vice da Caixa foi um dos elementos que embasou a operação deflagrada nesta sexta-feira e que tem como alvo Lucio Bolonha Funaro, apontado como o lobista que achacava empresas junto com Cunha.

Conforme o relato de fontes com acesso às investigações ao Estado, o documento seria usado se Cleto não colaborasse com o esquema de corrupção no Fundo de Investimento do FGTS.

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O vice da Caixa acusou Cunha e o agente do mercado financeiro Lucio Bolonha Funaro de receber suborno de empresas que captavam recursos do fundo. Ele admitiu que atuava para viabilizar os aportes, a pedido do deputado e de Funaro, que seria parceiro do peemedebista no esquema.

Nos depoimentos prestados à Procuradoria-Geral da República (PGR), Cleto afirmou que, dois dias após sua nomeação, em 2011, Funaro o fez assinar a carta. Assim, relatou, a qualquer momento ele poderia ser destituído do cargo, dependendo da vontade do delator.

COM A PALAVRA, EDUARDO CUNHA

“Desconheço o conteúdo da delação, por isso não posso comentar detalhes. Reitero que o cidadão delator foi indicado para cargo na Caixa, pela bancada do PMDB/RJ, com meu apoio, sem que isso signifique concordar com qualquer prática irregular. Desminto, como aliás já desmenti, qualquer recebimento de vantagem indevida. Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas. Desafio qualquer um a provar a veracidade dessas delações como também qualquer vinculação, de qualquer natureza, com as contas mencionadas por esses delatores.”

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