Delator aponta R$ 900 mil em propinas para ‘despesas’ de Pezão

Delator aponta R$ 900 mil em propinas para ‘despesas’ de Pezão

Revista Época e jornal O Globo revelam que advogado Jonas Lopes Neto afirmou que subsecretário de Comunicação do Rio, Marcelo Santos Amorim, contou a ele ter pago quantia com recursos da corrupção na área de alimentação

Redação

03 de abril de 2017 | 19h25

Foto: MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

Foto: MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

O advogado Jonas Lopes Neto afirmou em delação premiada que o subsecretário de Comunicação do governo do Rio, Marcelo Santos Amorim, contou a ele ter pago R$ 900 mil em despesas pessoais do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) com recursos de corrupção. Os valores viriam de empresas da área de alimentação que mantinham contratos com o Estado.

As informações foram divulgadas pela revista Época e pelo jornal O Globo.

Marcelinho, como é conhecido o subsecretário de Comunicação, é casado com uma sobrinha de Pezão. Ele foi levado coercitivamente pela Polícia Federal para depor na Operação O Quinto do Ouro, deflagrada na semana passada.

Quinto do Ouro prendeu cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio.

Época e O Globo informam que Marcelinho é citado em depoimentos ao Ministério Público Federal como um dos operadores do suposto esquema de corrupção que envolvia fornecedores do Estado e conselheiros da Corte de Contas do Rio.

Jonas Lopes Neto é filho do ex-presidente do Tribunal Jonas Lopes de Carvalho, que também fechou acordo de delação.

Em um trecho de seu relato, ainda segundo as reportagens, o advogado assinalou que ‘Marcelinho, além dos R$ 150 mil recolhidos na Milano (empresa de alimentação) apresentou ao colaborador uma anotação indicando que teria arrecadado quase R$ 900 mil junto às demais empresas, mas teria utilizado a quantia para pagamento de despesas do governador Pezão’.

Jonas Lopes de Carvalho contou em sua delação que o repasse de propina aos conselheiros de Contas do Rio foi discutido durante uma reunião na casa de Pezão.

O encontro teria ocorrido em 2013, quando Jonas presidia o Tribunal de Contas e Pezão era vice do então governador Sérgio Cabral (PMDB).

Segundo o delator, Pezão ‘acompanhou toda a reunião e dela participou ativamente, inclusive intervindo para acalmar as discussões iniciais e que toda a discussão sobre as vantagens indevidas pagas ao TCE foi feita às claras na presença de Pezão’.

O ex-presidente do TCE afirmou, ainda, que se encontrou outra vez com Pezão em 2015, no Palácio Guanabara.

COM A PALAVRA, PEZÃO

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o governador Luiz Fernando Pezão afirmou.

“O governador reafirma que desconhece o teor das investigações e nega que tenha recebido valores ilícitos ou autorizado qualquer pessoa a receber. O governador destaca que continua à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos. O subsecretário adjunto de Comunicação já prestou todos os esclarecimentos à Polícia Federal e repudia as declarações mentirosas imputadas a ele.”

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