Delação era oportunidade de ‘limpar passado’, diz dono da Carioca

Delação era oportunidade de ‘limpar passado’, diz dono da Carioca

Ricardo Pernambuco Júnior, em sua colaboração premiada, apontou R$ 52 milhões de propina ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre operações do FI-FGTS e repasse de R$ 1 milhão, em 2011, ao então tesoureiro do PT João Vaccari Neto para ‘inclusão da empresa na lista de convidadas de obras da Petrobrás’

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

04 de julho de 2016 | 05h00

 

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Um dos delatores da Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior afirmou que decidiu fechar acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato para ‘limpar o passado’. Em seus depoimentos, o dono da Carioca Engenharia apontou R$ 52 milhões de propina ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre operações do FI-FGTS e repasse de R$ 1 milhão, em 2011, em ‘espécie’ao então tesoureiro do PT João Vaccari Neto para ‘inclusão da empresa na lista de convidadas de obras da Petrobrás’.

Pernambuco Júnior declarou à Lava Jato que ‘a iniciativa de procurar o Ministério Público Federal se deu porque, a partir de novembro de 2014, com a fase da Lava Jato de maior publicidade, envolvendo as empreiteiras, o depoente ficou muito preocupado com os destinos da Carioca’. O empreiteiro relatou que a partir daquele momento entendeu que era necessário abrir uma investigação interna na empresa ‘para que se pudesse, de alguma maneira, fazer um levantamento de todas as irregularidades’.

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“O depoente levou esse incômodo e essa sua decisão a seu pai; que então tiveram uma conversa muito franca e, em vista do momento, o depoente entendia que era a oportunidade de a Carioca limpar o seu passado e traçar um caminho brilhante para o futuro”, afirmou Pernambuco Júnior.

As informações prestadas pelo empreiteiro constam de seu termo de colaboração número 1, de outubro de 2015. Os depoimentos foram anexados aos autos da Lava Jato na ultima sexta-feira, 1.

“Ao tomar a decisão de colaborar com a Justiça, o depoente convenceu seu pai, mostrando que havia uma perspectiva de mudança no País e que era o momento de a Carioca deixar o passado para trás, “virar uma página” e construir uma história de sucesso sem que houvesse qualquer ilícito pela frente; que a colaboração foi vista nesta ideia de preparar a empresa para um futuro bem mais consistente”, disse.

O empresário disse que o pai, Ricardo Pernambuco, aceitou a decisão, ‘entendendo que esta era realmente a atitude mais louvável’. Pernambuco Júnior afirmou que, então, contrataram um escritório de advocacia para fazer uma investigação e uma auditoria interna.

“Esta investigação interna, feita por este escritório independente, levantou diversas informações que serão apresentadas ao Ministério Público e à Justiça; que houve diversas reuniões, buscas internas, busca de extratos nas contas no exterior do pai do depoente, em síntese, um trabalho bastante rigoroso e profundo de busca de tais elementos”, disse.

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