‘Pouco importa se as pessoas que cometem ilícitos são amigos ou inimigos do governo’, avisa ministro

‘Pouco importa se as pessoas que cometem ilícitos são amigos ou inimigos do governo’, avisa ministro

José Eduardo Cardozo afirmou em evento, na manhã desta quinta, 25, que a Polícia Federal é republicana

Fausto Macedo

25 de setembro de 2014 | 12h48

Por Fausto Macedo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quinta feira, 25, que “a Polícia Federal age com igualdade”. “Pouco importa se as pessoas que cometem ilícitos são amigos ou inimigos dos que governam. Pouco importa se aquela pessoa que descumpre a lei tem um poder econômico ou tem poder político, ou se é um simples operário. A polícia republicana tem essa dimensão. É um órgão de Estado. Um governo que respeita uma polícia de Estado se limita a estabelecer diretrizes e não interfere no seu cotidiano.”

Cardozo fez estas declarações a jornalistas após inaugurar a nova Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional de São Paulo e antes de a ação no Maranhão ter sido divulgada. Em seu pronunciamento e também na entrevista que concedeu em seguida o ministro da Justiça em nenhum momento se referiu à operação no Maranhão e nem ao vice presidente Michel Temer.

cardozoblog

 

Indagado a quem ele estava mandando recado quando enfatizou que a PF “é republicana”, o ministro disse: “Na verdade, a Polícia Federal é uma polícia de Estado que age dentro de diretrizes governamentais, mas com autonomia. Às vezes as pessoas não entendem isso, às vezes acham que quando aliados do governo são investigados o ministro da Justiça perdeu o controle da polícia. Quando são adversários investigados, a Polícia Federal está sendo instrumentalizada. Não é nada disso. A Polícia Federal cumpre a lei e a Constituição, independentemente de quem esteja envolvido na prática de possíveis atos ilícitos.”

Durante o evento, Cardozo dedicou quase todo o tempo a enaltecer a atuação da PF, que é subordinada à Pasta que dirige. Ele disse que sofre “bullying”. “Quando a Polícia Federal persegue adversários, segundo alguns, isso é uma instrumentalização que o Ministério da Justiça faz dessa polícia. No entanto, quando a Polícia Federal persegue aliados, dizem que o ministro perdeu o controle. Quer dizer, não há escapatória.”

Ele disse que, ao desembarcar nesta quinta feira, 25, no Terminal 3 de Cumbica, ficou “um pouco perdido”, devido às dimensões espaçosas do local. “Tudo que é novo causa uma certa confusão nas pessoas. O mesmo ocorre com o momento que vive a Polícia Federal, é uma polícia de Estado e alguns ainda não se acostumaram com isso.”

“Posso garantir que a cultura institucional da Polícia Federal hoje é tão forte que, mesmo que amanhã ou depois um outro governo com outra postura venha, a PF não se curvará. Porque ela sabe ser polícia de Estado. Esta é uma realidade hoje irreversível”, declarou.

O ministro argumentou: “Vamos voltar alguns anos atrás e vamos olhar o que a Polícia Federal é hoje. Ela se transformou numa das polícias mais respeitadas do mundo. E, definitivamente, criou uma cultura institucional de ser uma polícia de Estado. Em geral os cidadãos ficam um pouco perdidos diante da realidade de uma polícia de Estado. E o bullying eu sofri quando falavam ‘imagina como vai ser a segurança pública na Copa’. Tivemos um dos índices mais bem avaliados.”

“Esse bullying eu sofro muitas vezes com a dificuldade que as pessoas têm ainda de entender uma Polícia Federal republicana”, acentuou. “Porque é difícil estabelecer na mente de pessoas, às vezes é mais fácil mudar muitas coisas do que mudar ideias. As pessoas não conseguem entender como é que nós podemos ter uma polícia de Estado, qual a relação que a polícia de Estado tem com um governo. O governo é eleito pelo povo para dirigir o Estado, é ele quem dá as diretrizes. Os órgãos atuam dentro daquilo que a lei estabelece para cumprimento dessas diretrizes, mas o fazem dentro de suas competências constitucionais e legais.”

Questionado se a delação do doleiro Alberto Youssef preocupa o governo e pode interferir no processo eleitoral, Cardozo respondeu: “Não acredito que isso aconteça. Nunca podemos confundir realidades. O governo tem tido postura muito clara na linha de assegurar autonomia das investigações. O governo assegura à Polícia Federal o poder de investigar. Isso é muito novo para as pessoas que não entendem. Mas é bom que entendam. A Polícia Federal é de Estado. Apure-se e puna-se quem tem que ser punido.”

Ouça o áudio de Cardozo:

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

José Eduardo CardozoPolícia Federal