Delação da JBS ‘agravou’ AVC do coronel amigo de Temer, diz defesa

Delação da JBS ‘agravou’ AVC do coronel amigo de Temer, diz defesa

Coronel João Baptista Lima Filho, aliado do presidente, foi intimado pela PF para prestar depoimento duas semanas depois da deflagração da Operação Patmos

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fabio Serapião

26 de junho de 2017 | 06h00


A defesa do coronel da reserva da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer, informou à PF que ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral e que a delação da JBS agravou seu estado de saúde. O coronel Lima é alvo da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato.

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Coronel Lima é um nome emblemático, muito ligado a Temer desde os anos 1980 e 1990, quando o presidente exerceu o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo (Governos Montoro e Fleury Filho).

Assim como Temer, o coronel está sob investigação da PF. Ele teria recebido R$ 1 milhãoda JBS, mas o destinatário teria sido o presidente, segundo investigadores.

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Na Operação Patmos, deflagrada no dia 18 de maio, a PF fez buscas no escritório da Argeplan, do coronel Lima, em São Paulo. Foram apreendidos documentos que citam Maristela, filha de Temer.

O coronel Lima foi intimado pela PF em 1 junho para ‘prestar esclarecimentos no interesse da Justiça’. O depoimento estava marcado para o dia seguinte, 2 de junho, às 15h, na Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros.

Em manifestação à PF, o escrivão da Polícia Federal Vinicius Costenaro Cabral informou que foi recebido pela empregada doméstica do coronel ao cumprir o mandado de intimação.

“Ela recebeu o mandado de intimação e nos informou que João e sua esposa foram viajar a passeio, porém disse que iria entrar em contato com eles para avisa-los”, relatou o escrivão.

No dia em que foi intimado, João Baptista Lima Filho, por meio de sua defesa, entregou um atestado médico datado de 29 de maio informando que o coronel havia sofrido, em junho de 2016, um ‘acidente vascular cerebral isquêmico, com lesão isquêmica frontal esquerda’.

“Desde então, sua saúde vem carecendo de constante acompanhamento médico”, relataram os defensores.

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Segundo os advogados, o coronel precisou suspender o uso de remédios e estava sob risco de novo AVC. Deveria, então, ‘manter repouso em sua residência e evitar situação de estresse’ que levassem ao risco de pico hipertensivo’.

“Não deixa de ser importante mencionar que a situação de estresse a que foi levado, decorrente da citação de seu nome, com repercussão nacional, desde último dia 18 de maio de 2017, havida em colaborações premiadas que originaram o inquérito em epígrafe, também agravaram seu quadro de saúde”, argumentou a defesa.

“Por este motivo, visando o resguardo e repouso médico, o sr. João Baptista Lima Filho já havia se deslocado para a cidade de Duartina, local de sua fazenda, onde costuma descansar, com previsão de retorno apenas na terça-feira, 6 de junho de 2017.”

Na ocasião, a defesa pediu que a Polícia Federal remarcasse o depoimento do coronel para alguma data a partir de 13 de junho. Dias antes, em 6 de junho, a defesa mandou nova manifestação à PF.

O defensor do coronel relatou que o quadro de saúde do amigo de Temer havia ‘involuído’ e ele havia sido hospitalizado novamente ‘em caráter de urgência com suspeita de novo AVC’.

“Encontrando-se em precário estado de saúde, restando impossibilitado de comparecer para prestar esclarecimentos na data de 7 de junho de 2017”, relatou. “O sr. João Baptista Lima Filho ratifica que não está, sob qualquer aspecto, evitando comparecer para prestar esclarecimentos a esta autoridade policial, comprometendo-se a fazê-lo oportunamente.”

Nos dias 8 e 13 de junho, a defesa se manifestou novamente. Foram enviados relatórios médicos e ‘com detalhamento do quadro clínico’.

“Conforme vem sendo informado a esta autoridade policial, o estado de saúde do Sr, João Baptista Lima Filho continua precário, conforme revela novo relatório médico, expedido aos 13 de junho de 2017. Deve-se ressaltar, conforme consta do referido relatório, que, por ordens médicas, o sr João Baptista Lima Filho está afastado de suas atividades, em repouso absoluto, devendo evitar situações de estresse sob o risco de novo AVC, além de se lhe estar sendo administrado medicamentos que afetam a sua capacidade cognitiva e seu estado psicofísico”, relatou a defesa.

“Também vem sendo submetido a diversos exames médicos, preparatórios para intervenção cirúrgica que sofrerá no próximo dia 21 de junho de 2017. Este quadro de saúde impossibilita, por ora, de o Sr. João Baptista Lima Filho de prestar esclarecimentos a esta Autoridade.”

A reportagem tentou contato com a defesa de João Baptista Lima Filho. O espaço está aberto para manifestação.

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