Deixe o Waze ligado

Deixe o Waze ligado

Cassio Sclovsky Grinberg*

08 de agosto de 2019 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Todos nós gostaríamos de ter um Waze diferente: um aplicativo que nos orientasse o que fazer quando a encruzilhada batesse na porta, quando a decisão fosse determinante, quando aquela pessoa nos deixasse sem fala. Digitaríamos nosso dilema, e ele nos responderia: diga isso, faça isso, vá por aqui.

E se eu dissesse que já temos, dentro de nós, esse “aplicativo mágico”? Mas que nos esquecemos de deixá-lo ligado — nos escutando mais, aceitando que nem sempre dá para ter certeza, lembrando que inteligência é o que a gente faz justamente quando não tem ideia do que fazer?

Mais fácil, é claro, é percorrer a estrada do conhecido. Mas e a via das dúvidas? Não é mais interessante? É bem mais instigante ter dúvida do que ter certeza. É bem mais produtivo ter dúvida do que ter certeza. É bem mais garantido ter dúvida do que ter certeza. Por mais paradoxal que pareça.

Empresas vencedoras, cada vez mais, estão exercitando uma lógica contrária: exigindo que seus gestores apenas rejeitem uma ideia depois de provar a todos o porquê de não estar dando uma chance ao novo. Na Disney, por exemplo, existe um pensamento que diz que, se você acha que sua lógica o está afastando de uma boa ideia, primeiro deve questionar a lógica, e apenas depois a ideia.

Nosso Waze é nossa intuição, que é justamente o resultado de nossa capacidade de visualizar um problema, conectar sentimentos, considerar alternativas e testar percepções. Sempre que tentarmos nos livrar cedo demais de nossos problemas, deixaremos de seguir o conselho de alguém como Einstein, que dizia alcançar soluções inovadoras não porque fosse um gênio (embora ele fosse), e sim porque passava mais tempo do que a média das pessoas em cima dos mesmos problemas.

Confiar na intuição é assumir responsabilidades. Em um mundo onde poucas escolhas não são, na essência, feitas por nós mesmos, surpreende que percamos tempo imaginando comprar conselhos e depois vender culpados por aquilo que não deu certo, quando poderíamos estar investindo em nossa própria capacidade intuitiva de criar baseados no que nossa voz interior nos sussurra. Parar, pensar, testar, fazer: existe uma certa magia quando a gente simplesmente tenta.

*Cassio Sclovsky Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

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