‘Deixar mais bonito para o presidente Lula’

‘Deixar mais bonito para o presidente Lula’

Executivo da OAS relata ao juiz Sérgio Moro que reforma no triplex do Guarujá foi acertada para atender interesses do petista e da ex-primeira-dama

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Luiz Vassallo e Julia Affonso

26 de abril de 2017 | 20h07

Lula. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

O executivo Fábio Hori Yonamine, ex-diretor financeiro e ex-presidente da OAS, declarou nesta quarta-feira, 26, que a empreiteira promoveu a reforma e a decoração do triplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, ‘para tornar (o imóvel) mais bonito para o ex-presidente Lula e dona Marisa’.

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, Yonamine contou detalhes das obras que modificaram completamente a unidade 164-A do edifício à beira-mar. Os investigadores sustentam que o imóvel, afinal, pertence ao petista, o que é negado por ele.

Neste processo, Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Procuradoria da República sustenta que o ex-presidente recebeu propinas da OAS no montante de R$ 3,7 milhões – parte desse valor investido pela empreiteira na grande reforma do triplex.

Na audiência, o procurador do Ministério Público Federal fez uma pergunta direta. “Vou ser mais específico, sr. Fábio, o sr. mencionou aqui que houve uma reunião em 2014, onde o sr. José Adelmário Pinheiro, o sr. Léo Pinheiro, pediu para deixar o apartamento mais bonito.”

“O sr. Léo pediu para deixar o apartamento mais bonito para torná-lo mais fácil para venda ou para tornar mais bonito para atender os interesses do ex-presidente Lula e dona Marisa?”

“A reforma e o pedido foi para o ex-presidente Lula e para Marisa”, respondeu o executivo.

O procurador insistiu. “Não era para um investimento (da OAS) naquele apartamento? Era para personalizá-lo?”

“Correto, foi um pedido atípico. Nunca havia feito um pedido dessa forma e foi um pedido específico para fazer o projeto, reforma e decoração. Deixar mais bonito para o presidente Lula.”
Ainda o procurador. “Então, a OAS buscava ali simplesmente não tornar (o triplex) mais vendável, simplesmente ajustá-lo aos interesses do presidente, é isso?”

“Sim, sim.”

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