Defesa pede a Moro ‘reconsideração’ da ordem de prisão contra Bendine

Defesa pede a Moro ‘reconsideração’ da ordem de prisão contra Bendine

Em petição protocolada na 13.ª Vara Federal de Curitiba no final da tarde desta quinta-feira, 27, advogados do ex-presidente da Petrobrás alegam que ele vai 'colaborar com o esclarecimento de qualquer questão'

Julia Affonso e Fausto Macedo

27 de julho de 2017 | 18h35

Aldemir Bendine é levado em carro da PF. Foto: Geraldo Bubniak

Por meio de seus advogados, o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine – preso nesta quinta-feira, 27, na Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato -, pediu ao juiz Sérgio Moro reconsideração da ordem de prisão temporária. A defesa alega que Bendine vai ‘colaborar com o esclarecimento de qualquer questão’.

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Os advogados de Bendine – criminalistas Pierpaolo Bottini e Cláudia Vara San Juan Araújo – informaram Moro que no dia 7 de julho entregaram petição à Procuradoria da República em que o ex-presidente da Petrobrás abriu espontaneamente seu sigilo bancário e fiscal, disponibilizando as cópias de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física referentes aos anos de 2011 a 2016. Também disponibilizou extratos e demonstrativos bancários dos últimos cinco anos.

“Não há dúvidas que a liberdade de Bendine nunca colocou em risco a colheita da prova; ao contrário, ele sempre pretendeu prestar os esclarecimentos sobre os fatos e contribuir com as investigações, de forma que sua liberdade não apresenta risco à instrução penal”, pondera Pierpaolo Bottini.

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Bendine ia para Lisboa nesta sexta, só com passagem de ida

A defesa afirma que no comando da estatal petrolífera, Bendine empreendeu ‘ importantes mudanças na governança da Companhia, com a criação de um rígido e sólido programa de compliance, antes inexistente e, ainda, com a realização de sensíveis alterações na forma de tomada de decisões: foram abolidas as deliberações individuais, passando-se a priorizar-se as decisões colegiadas, em camadas e por alçadas, a exemplo do que ocorria no Banco do Brasil durante sua gestão’.

A defesa sugere que o suposto rigor de Bendine atingiu inclusive a Odebrecht, cujo ex-presidente é um dos delatores do ex-mandatário da Petrobrás.

“Nota-se que a política de Bendine à frente da estatal pautou-se pela rigidez, em especial em relação ao Grupo Oderbrecht.”

Os advogados entregaram a Moro cópia da passagem de volta de Bendine a Portugal.

O Ministério Público Federal alegou que, por meio da quebra de sigilo de emails do alvo principal da Operação Cobra, descobriu-se que ele havia comprado passagem só de ida a Lisboa, marcada para esta sexta-feira, 28. O bilhete entregue pela defesa mostra que ele pretendia retornar ao Brasil no dia 18 de agosto.

“Sua (de Bendine) liberdade em nada compromete as investigações ou a colheita da prova do inquérito policial”, sustentam Pierpaolo Bottini e Cláudia Vara San Juan Araújo. “Ele prestará seu depoimento e esclarecerá à autoridade policial tudo quanto for perguntado.”

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