Defesa diz que ‘não sabe’ se Temer vai responder em apenas 24 hs interrogatório da PF

Defesa diz que ‘não sabe’ se Temer vai responder em apenas 24 hs interrogatório da PF

Criminalista Mariz de Oliveira argumenta que prazo imposto pelo ministro Edson Fachin, do STF, é muito curto para explicações 'que implicarão já numa linha de defesa do presidente'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo

31 de maio de 2017 | 16h51

Criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira. Foto: KEINY ANDRADE/ESTADÃO

A defesa de Michel Temer declarou nesta quarta-feira, 31, que ‘não sabe’ se vai ser possível cumprir rigorosamente o prazo de 24 horas que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, impôs ao presidente para responder interrogatório da Polícia Federal na Operação Patmos, desdobramento da Operação Lava Jato.

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“Dependendo do número de questões não dá para responder em 24 horas”, avisa o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que coordena a defesa do presidente. “Trata-se de auto defesa do presidente, as respostas que ele der já estão numa linha de defesa do presidente.”

Fachin deu 24 horas a Temer para responder os questionamentos da PF no inquérito da Operação Patmos – investigação que o coloca sob suspeita, ao lado do ex-assessor Rocha Loures, da prática de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

O prazo exíguo foi imposto pelo ministro porque a Patmos tem investigados presos, como a irmã de Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Fachin deu dez dias para a PF concluir as investigações.

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O presidente vai responder por escrito.

“As respostas que o presidente der já estarão numa linha de defesa”, pondera Mariz. “Portanto, tem que ser muito bem elaborado, com cuidado. Não vamos nos precipitar. E se o rol de perguntas (da Polícia Federal) for muito grande, complexo? Vamos fazer o possível para cumprir o prazo, mas não sei se será possível. As respostas serão feitas, mas possivelmente não em 24 horas.”

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O criminalista informou que não vai recorrer a Fachin por um prazo mais elástico, embora proteste contra o fato de que a PF não teve limitado o tempo para elaborar o questionário a Temer. “O ministro não deu prazo nenhum para a elaboração dos questionamentos.”

“Vamos analisar e responder no prazo que for possível”, reiterou Mariz. “Não se trata de mera resposta, onde mora, onde frequenta. São respostas que implicarão já numa linha de defesa do presidente. Vamos tentar cumprir o prazo, mas se não for possível vamos apresentar, no mais curto tempo possível, desde que dê ao presidente direito de ampla defesa.”

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