Defesa diz que ‘não concorda’ com ordem de prisão, mas afirma que João de Deus vai se entregar

Defesa diz que ‘não concorda’ com ordem de prisão, mas afirma que João de Deus vai se entregar

Criminalista Alberto Zacharias Toron afirma em vídeo reproduzido pela GloboNews que não pode revelar 'o dia e a hora' que médium se apresentará às autoridades

Paulo Roberto Netto

15 de dezembro de 2018 | 14h30

O médium João de Deus. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP

O criminalista Alberto Zacharias Toron, que representa o médium João de Deus, afirmou que seu cliente ‘irá se apresentar às autoridades’, mas que ainda não pode revelar o dia e hora que isso acontecerá. A declaração foi gravada em vídeo e reproduzida pela GloboNews.

“A primeira coisa a ser dita é que o senhor João de Deus se apresentará às autoridades em respeito à decisão do juiz, mas não posso revelar, em respeito a essas mesmas autoridades, o dia e a hora que isso ocorrerá”, afirmou Toron. “Não concordamos com a decisão, consideramos ilegal e vamos impetrar, na próxima segunda-feira, habeas corpus questionando sua legalidade.”

De acordo com o criminalista, não há contemporaneidade entre as denúncias contra o médium e sua necessidade de prisão. “Os fatos são antigos e não aconteceu nada de novo que justificasse a prisão”, declarou.

Acusado de abuso sexual por diversas mulheres de todo o País e no exterior, João de Deus teve a prisão preventiva decretada na sexta, 14, e desde então acerta detalhes para sua apresentação à Polícia Civil de Goiás. De acordo com as autoridades, as conversas foram retomadas nesta manhã para discutir possíveis horários e locais para o encontro.

Inicialmente, as autoridades haviam estipulado um prazo para entrega até o meio-dia deste sábado, 15. Se isso não ocorresse, João de Deus passaria a ser considerado foragido da Justiça. Nesta manhã, a Secretaria de Segurança Pública de Goias divulgou nota afirmando que as buscas para localizar o médio continuam a ser realizadas e que ‘não há prazo específico para que ele seja considerado foragido’.

Desde a revelação das primeiras denúncias, a Força Tarefa do Ministério Público recebeu mais de 335 relatos de diversos Estados e pelo menos seis países – Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça. João de Deus atendia cerca de 10 mil pessoas por mês, das quais 40% eram estrangeiras.

Segundo a promotoria de Abadiânia, os abusos eram cometidos em “sessões particulares individuais” após o atendimento no Centro Dom Inácio Loyola. Pelo menos quatro funcionários são suspeitos de envolvimento no esquema.

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