Defesa de Temer recorre a boatos de imprensa, diz Janot ao STF

Defesa de Temer recorre a boatos de imprensa, diz Janot ao STF

A manifestação do procurador-geral da República foi encaminhada nesta sexta-feira, 25, ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato e do caso JBS no STF, em resposta a um pedido de suspeição formulado pelo advogado do presidente

Luiz Vassallo

25 Agosto 2017 | 21h10

Rodrigo Janot. FOTO DIDA SAMPAIO / ESTADAO

BRASÍLIA – Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que a defesa do presidente Michel Temer recorre a “boatos de imprensa” e à “teimosa tentativa” de rediscutir a integridade das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F, levantando “suspeitas infundadas” sobre os acordos de colaboração premiada firmados com executivos da empresa.

Em resposta às críticas de que tenha adotado uma “inadequada retórica” ao dizer que “enquanto houver bambu, lá vai flecha”, Janot disse que a defesa do presidente “distorce o real sentido de algumas metáforas”.

A manifestação do procurador-geral da República foi encaminhada nesta sexta-feira (25) ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato e do caso JBS no STF, em resposta a um pedido de suspeição formulado pela defesa do presidente.

“A arguição de suspeição somente procede quando robusta prova a demonstra insofismavelmente. Não merece acolhida quando expressa por meio de meras conjecturas destituídas de elementos idôneos de convicção. Sem dúvida, o caso em exame se enquadra nesta ultima hipótese”, escreveu Janot.

Para o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer, o procurador-geral da República vem “extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais”, adotando, por motivações pessoais, uma “obsessiva conduta persecutória” contra o presidente.

Janot rebateu as acusações. “A conduta deste Procurador-Geral da República é compatível com todos os princípios e parâmetros que regem a atuação de um membro do Ministério Público, em especial o princípio da obrigatoriedade da ação penal”, disse o procurador-geral da República.

TONALIDADE. O procurador-geral da República comentou ainda a possibilidade de formular mais uma denúncia contra o presidente por “outros crimes ainda em apuração”.

“Trata-se de postura sem qualquer tonalidade política. Nesse ponto, cumpre relembrar que o juízo de conveniência e oportunidade é próprio da atuação institucional do Ministério Público”, alegou Janot.

No pedido de suspeição, a defesa de Temer também alegou que houve um “claríssimo” episódio de conflito de interesses na conduta do ex-procurador da República Marcelo Miller, que deixou o Ministério Público Federal para trabalhar em um escritório de advocacia que conduziu o acordo de leniência da J&F. “Cumpre esclarecer que o Procurador-Geral da República não tem qualquer responsabilidade pelas escolhas profissionais do ex-procurador”, comentou Janot.

Sobre a fala de flecha e bambu, Janot disse que as metáforas significaram que “quaisquer investigações de autoridades com prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal, caso revelem, até o fim do mandato deste Procurador-Geral da República, prova bastante da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria, terão denúncia ajuizada pelo Ministério Público, conforme determina a lei”. (Rafael Moraes Moura e Breno Pires)