Defesa de Temer pede suspensão de depoimento até fim de perícia em áudio

Defesa de Temer pede suspensão de depoimento até fim de perícia em áudio

Por meio de sua defesa, presidente vai pedir ao ministro Edson Fachin que determine à Polícia Federal que se abstenha de incluir no interrogatório perguntas sobre o conteúdo da conversa com empresário delator até que a perícia na gravação do Jaburu seja realizada

Breno Pires e Isadora Peron, de Brasília

31 de maio de 2017 | 12h35

/ AFP PHOTO / EVARISTO SA 

O presidente não quer ser questionado agora pela Polícia Federal sobre o conteúdo do áudio da conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, ocorrida na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu. Por meio de petição ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato e desdobramentos no Supremo Tribunal Federal, o advogado do presidente, criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, alega que o áudio ainda está sendo submetido a uma perícia da Polícia Federal.

A conversa foi gravada por Joesley. Nela, Temer reage com ‘ótimo, ótimo’ às informações do delator que narra ter corrompido o procurador da República Ângelo Goulart e conta sobre pagamento de mesada milionária para Eduardo Cunha, em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara preso desde outubro de 2016.

Os investigadores argumentam que Temer não poderia ter se omitido quando informado por Joesley sobre práticas criminosas.

Nesta terça-feira, 30, Fachin autorizou a Polícia Federal a interrogar o presidente no inquérito da Operação Patmos, deflagrada no dia 18. O depoimento será por escrito. A PF vai encaminhar as perguntas a Temer, inclusive sobre o deputado Rocha Loures (PMDB/PR), ex-assessor do presidente flagrado correndo por uma rua dos Jardins, em São Paulo, com uma mala estufada de propinas da JBS – maços com 10 mil notas de R$ 50.

“O presidente tem toda a disposição e todo o interesse em elucidar a verdade dos fatos e demonstrar que a gravação que instrui o presente inquérito não corresponde à realidade do diálogo ocorrido. Tanto que requereu fosse o áudio periciado”, assinalou Mariz de Oliveira.

Mas Temer não quer ser questionado agora sobre o áudio. Logo depois do estouro da Operação Patmos, que prendeu uma irmã do lobista Lúcio Funaro, operador de propinas de Eduardo Cunha, e filmou seu aliado Rocha Loures com a mala dos R$ 500 mil, o presidente declarou que o áudio foi ‘manipulado, adulterado’. O áudio está sendo submetido a uma perícia no Instituto Nacional de Criminalística da PF.

“O presidente aguarda a chegada das questões (da Polícia Federal), no entanto, entende que tais questões não podem versar sobre o conteúdo da gravação até que chegue o laudo pericial”, assinala Mariz de Oliveira. “Desta forma, a defesa requereu que as questões não versem sobre a fita até a chegada do resultado da perícia.”

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