Defesa de réus pede anulação dos depoimentos de doleiro e ex-diretor

Advogados dos empresários do Grupo Sanko, que forneceu material para as obras de Abreu e Lima, questiona o fato de não terem sido citados os políticos envolvidos no esquema

Redação

25 de outubro de 2014 | 05h00

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

Em petição encaminhada à Justiça Federal, a defesa dos empresários Márcio Bonilho e Murilo Tena Barrios, sócios das empresas do Grupo Sanko, pede a anulação dos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e do também empresário Leonardo Meirelles prestados na ação que apura desvios, corrupção, caixa 2 e superfaturamento nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

“(A defesa) requer seja declarada a nulidade de tais atos promovendo os respectivos interrogatórios novamente, desta vez, permitindo a revelação de todas as informações pertinentes, inclusive os nomes dos agentes políticos supostamente envolvidos”, argumentam os criminalistas Maurício Schaun Jalil, Luiz Flávio Borges D’Urso e Henrique Felipe Ferreira, que representam o Grupo Sanko e seus dirigentes.

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No documento, eles pedem ainda que sejam realizados novos interrogatórios com os réus “desta vez, permitindo a revelação de todas as informações pertinentes, inclusive os nomes dos agentes políticos supostamente envolvidos”, assinala o documento.

Nos depoimentos prestados por Costa e Youssef no começo do mês perante o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na Justiça Federal, o doleiro e o ex-diretor da estatal petrolífera relataram a existência de um esquema de desvio de dinheiro e pagamento de propina na Petrobrás por meio do qual 3% do valor dos contratos da estatal nas diretorias indicadas pelo PT eram direcionadas à sigla. Na diretoria de Costa, indicado pelo PP, 1% do valor dos contratos iam para a sigla e outros 2% para o PT. Eles relataram ainda que 1% dos valores dos contratos das diretorias indicadas pelo PMDB ia para a sigla.

O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, durantesolenidade, na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense para apresentação dos efeitos benéficos no Rio do uso do diesel menos poluentes.

Para os defensores, contudo, ao relatar o funcionamento do esquema e não citar os nomes dos políticos envolvidos a “ampla defesa e contraditório foram desrespeitados”. “O cerceamento de defesa, pois, se faz latente, inclusive em relação aos demais acusados, mesmo porque não pode nesta oportunidade inquirir possíveis testemunhas referidas, isto é, pessoas que apareceriam a partir de tais interrogatórios”.

Além dos depoimentos do ex-diretor e do doleiro, no começo da semana o empresário Leonardo Meirelles, dono da Labogen e apontado como “testa de ferro” de Youssef também relatou que o esquema envolveria o PSDB. Na ocasião ele citou uma conversa de telefone que ouviu de Youssef com referências ao ex-presidente da sigla, Sérgio Guerra, falecido neste ano, e disse ainda que Youssef possuía um “padrinho político” do PSDB no Paraná.

À exceção de Guerra, que já faleceu, caso os depoentes citem o nome de algum político durante as audiências da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná o processo deve ser remetido ao Supremo Tribunal Federal, devido ao foro privilegiado. Diferente dos depoimentos dados em delação premiada, que corre sobre segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal, as audiências das ações penais perante o juiz não têm nenhum sigilo.

Controladas pelos empresários Márcio Bonilho e Murilo Tena Barrios, as empresas do Grupo Sanko – Sanko Sider e a Sanko Serviços – repassaram, segundo as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal R$ 38,5 milhões para as empresas de fachada de Alberto Youssef entre os anos de 2009 e 2013. A Sanko Sider era a empresa responsável por fornecer tubos, flanges e conexões para um trecho das obras de Abreu e Lima, sob responsabilidade do Consórcio CNCC. A Sanko Serviços, por sua vez,  prestaça serviços para a venda e entrega do material ao consórcio do empreendimento.

Laudo. Além de pedir a anulação dos depoimentos, a defesa dos empresários encaminhou à Justiça Federal vários pareceres questionando o laudo da PF afirmando que as empresas de Youssef não prestaram os serviços para os quais foram pagos pelas empresas do Grupo Sanko. “O laudo elaborado pelos peritos federais, com todo o respeito, apresenta falhas, erros e se baseia, muitas vezes, em dados errôneos”, afirmam os advogados, que pedem ainda que sejam “esclarecidos os quesitos apontados nesta petição”.