Defesa de Palocci quer anular delações de Baiano e de doleiro da Lava Jato

Defesa de Palocci quer anular delações de Baiano e de doleiro da Lava Jato

Criminalista José Roberto Batochio vai ao Supremo e afirma que versões que envolvem ex-ministro em suposto repasse de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff, em 2010, 'foram construídas no mundo das sombras do cárcere'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

10 Novembro 2015 | 05h00

O ex-ministro Antonio Palocci, investigado pela Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

O ex-ministro Antonio Palocci, investigado pela Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

A defesa do ex-ministro Antonio Palocci Filho (Governos Lula e Dilma) vai requerer ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogação da homologação das delações premiadas do doleiro Alberto Youssef – peça central da Operação Lava Jato – e do lobista Fernando ‘Falcão’ Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás.

A informação foi divulgada pelo criminalista José Roberto Batochio, defensor do ex-ministro. O advogado ampara sua iniciativa na acareação promovida pela Polícia Federal na última quinta-feira, 5, entre Baiano e o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento). Frente a frente, Paulo Roberto Costa desmentiu Baiano, que alegou ter se reunido com o ex-diretor da estatal petrolífera no comitê eleitoral de Dilma Rousseff, em 2010, para discutir detalhes de suposto repasse de R$ 2 milhões para a campanha da petista.

“O pedido de revogação está sendo elaborado porque, em primeiro lugar, antes de haver a delação premiada, o sr. Alberto Youssef já anunciou que, em razão de um conluio de cela, um ajuste de xadrez, estavam construindo uma nova delação para justificar a contradição que havia entre os relatos do doleiro e Paulo Roberto Costa”, declarou Batochio.

O criminalista destaca que o próprio Paulo Roberto Costa, quando acareado com Fernando Baiano, na quinta-feira, 5, na Polícia Federal lembrou que o doleiro foi à CPI da Petrobrás e disse ‘olha, vai haver uma delação premiada e um novo delator vai esclarecer o episódio Palocci’.

“Quer dizer que essas delações são construídas no mundo das sombras do cárcere?”, protesta Batochio. “O que estamos verificando é exatamente que essas contradições ficam cada vez piores. Fazem essas articulações para consertar uma contradição que não pode ser consertada nunca.

Porque o que eles disseram é uma grande mentira. O sr. Youssef ajudou a construir essa versão, segundo o próprio termo de acareação (entre Baiano e Paulo Roberto Costa).”

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O criminalista aponta para um trecho da acareação realizada na PF em Curitiba, base da Operação Lava Jato, em que Fernando Baiano se confundiu sobre o hotel em que teria se hospedado em Brasília na época do suposto encontro entre ele, Paulo Roberto Costa e Palocci no comitê de campanha de Dilma Rousseff, em 2010. “Essa história de Fernando Baiano dizer, primeiro, que se hospedou no hotel Meliá e depois dizer que pode ter sido no hotel Naum é um dado objetivo, concreto, não é interpretação. Isso mostra que a história é absolutamente mentirosa. Quem é mentiroso não pode receber o benefício da delação premiada. Por isso, vamos pedir ao ministro (Teori Zavascki, do STF) que revogue os benefícios. A Justiça não pode se compadecer com mentiras.”

Para Batochio, ‘a Justiça é a verdade em ação, não pode aceitar uma delação que pode levar ao descrédito absoluto (da Operação Lava Jato)’.
“Independentemente da anulação integral das delações o fato é que alguém precisa denunciar essas mentiras. A Justiça precisa tomar atitude em relação a essas mentiras. O próprio delegado (que promoveu a acareação) ficou muito mal impressionado. O delegado advertiu o sr. Fernando Baiano sobre o risco de ele perder os benefícios da delação premiada. Não se pode dar crédito à utilização inescrupulosa da delação para envolver pessoas inocentes e honestas como é o caso do ministro Palocci, que nunca esteve, nunca recebeu e nunca tratou de qualquer assunto de contribuição de campanha com o sr. Fernando Baiano. A mentira é flagrantemente manifesta. Houve uma conversa prévia no xadrez da Polícia Federal entre Alberto Youssef e Fernando Baiano.”

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