Defesa de Lula pede, mais uma vez, para que Moro ouça Tacla Duran

Defesa de Lula pede, mais uma vez, para que Moro ouça Tacla Duran

Advogados do ex-presidente querem que magistrado interrogue o ex-advogado da Odebrecht foragido na Espanha, que tem acusado a empreiteira de fornecer 'documentos adulterados' em seu acordo de delação premiada

Luiz Vassallo

31 Janeiro 2018 | 05h13

Os advogados do ex-presidente Lula voltaram a insistir ao juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira, 29, para que seja marcada audiência com o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran, atualmente foragido na Espanha. A defesa do petista quer que Duran seja ouvido no âmbito de incidente de falsidade em que questiona a idoneidade documentos entregues pela construtora em seu acordo de colaboração.

Documento

O advogado é denunciado três vezes na Operação Lava Jato por operar propinas nos escândalos envolvendo contratos da Odebrecht com a Petrobrás. Ele está foragido na Espanha. Rodrigo Tacla Duran tem afirmado que a Odebrecht apresentou documentos adulterados em sua delação premiada.

A defesa do ex-presidente moveu incidente de falsidade ideológica sobre papeis do sistema Drousys, utilizado para a contabilidade do departamento de propinas da empreiteira. Os advogados têm insistido reiteradas vezes para que Moro ouça Duran.

“A palavra de pessoa envolvida, em cognição sumária, em graves crimes e desacompanhada de quaisquer provas de corroboração não é digna de crédito, como tem reiteradamente decidido este Juízo e as demais Cortes de Justiça, ainda que possa receber momentâneo crédito por matérias jornalísticas descuidadas e invocadas pela Defesa”, afirmou Moro, ao negar um dos pedidos.

O incidente de falsidade foi movido no âmbito de ação penal em que o ex-presidente Lula é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht que incluiriam um terreno de R$ 12,5 milhões para o Instituto Lula e uma cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.

Nesta ação, ainda há outro incidente de falsidade, que apura a autenticidade de recibos de aluguel apresentados pelo ex-presidente para comprovar que pagou pelo aluguel do apartamento em São Bernardo, no edifício Hill House. Segundo a Lava Jato, o ex-presidente nunca pagou pelo imóvel, que está em nome de Glaucos da Costamarques e teria sido custeado pela Odebrecht.

No âmbito deste incidente, a defesa de Glaucos da Costamarques chegou a pedir as imagens registradas pelas câmeras do hospital Sírio Libanês no período de 2015 em que o engenheiro esteve lá internado. Os advogados queriam comprovar que ele foi visitado pelo advogado do petista, com quem teria tratado sobre as assinaturas dos recibos.

Inicialmente, Moro negou o pedido, mas, depois, após pedido de reconsideração da defesa de Glaucos, o aceitou.

Para o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, ‘extrai-se que o pedido de reconsideração foi deferido em razão (i) da “insistência” da Defesa (“Em vista da insistência da Defesa de Glaucos da Costamarques na produção da prova (…) resolvo rever o decidido”), (ii) da informação de que a própria Defesa irá examinar o material e (iii) o deferimento seria prudente a fim de evitar alegação de cerceamento de defesa’.

“De qualquer forma, a prevalecer o entendimento de Vossa Excelência, deve ele ser estendido aos requerimentos probatórios dos demais acusados, visando conferir igualdade de tratamento às Defesas”, afirma.

Sob estes argumentos, o defensor pede a Moro a ‘reconsideração da decisão proferida’ por Moro ‘para que seja deferida a oitiva de Rodrigo Tacla Durán’.