Defesa de Lula diz que Lava Jato ‘ignora provas’ e ‘usa teorias ilegais’

Para advogados do ex-presidente, alegações finais do Ministério Público Federal no caso triplex mostram que os procuradores 'insistem em teses inconstitucionais e incompatíveis com a realidade'

Julia Affonso e Ricardo Brandt

03 de junho de 2017 | 12h13

Lula. Foto: Nacho Doce/Reuters

A defesa de Lula afirma que a Lava Jato ‘ignora provas’ e ‘usa teorias ilegais’ contra o ex-presidente. Segundo os advogados do petista, as alegações finais do Ministério Público Federal na ação penal do caso triplex ‘mostram que os procuradores insistem em teses inconstitucionais e ilegais e incompatíveis com a realidade’.

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Nesta sexta-feira, 2, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato pediram, em argumentos derradeiros no processo sobre o imóvel do Condomínio Solaris, em Guarujá, litoral de São Paulo, condenação do ex-presidente em regime fechado. Lula é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.

Segundo a acusação, Lula teria recebido propina de R$ 3,7 milhões da OAS – parte do dinheiro supostamente investido em obras de reforma e ampliação do apartamento. A Procuradoria cobra R$ 87 milhões do ex-presidente, relativos ao suposto valor global de propina que teria sido repassada pela empreiteira.

Em nota divulgada neste sábado, os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, defensores de Lula, reagiram enfaticamente às alegações finais da Procuradoria.

Os advogados se reportam à célebre entrevista dos procuradores, em 2016, quando divulgaram a denúncia contra Lula e fizeram uso de um powerpoint para destacar a acusação em entrevista coletiva. Eles sustentam que uma ‘obsessão de perseguir Lula’ move os procuradores com intenção de ‘prejudicar sua história e sua atuação políica’.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins assinalam que ‘as 73 testemunhas ouvidas e os documentos juntados ao processo, notadamente os ofícios das empresas de auditoria internacional Price e KPMG, provaram, sem qualquer dúvida, a inocência de Lula’.

“O ex-presidente não é e jamais foi proprietário do triplex, que pertence à OAS e foi por ela usado para garantir diversas operações financeiras”, argumentam os advogados.

A defesa agora vai apresentar também suas alegações finais no caso triplex.

Os advogados fazem referência a testemunhas ouvidas na fase de instrução do processo, entre elas o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, também réu na ação, que declarou ao juiz federal Sérgio Moro que o apartamento do Guarujá era destinado a Lula.

“Nos próximos dias demonstremos ainda que o Ministério Público Federal e seus delatores informais ocultaram fatos relevantes em relação ao triplex que confirmam a inocência de Lula, atuando de forma desleal e incompatível com o Estado de Direito e com as regras internacionais que orientam a atuação de promotores em ações penais.”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DOS DEFENSORES DE LULA

“As alegações finais do MPF mostram que os procuradores insistem em teses inconstitucionais e ilegais e incompatíveis com a realidade para levar adiante o conteúdo do PowerPoint e a obsessão de perseguir Lula e prejudicar sua história e sua atuação política.

As 73 testemunhas ouvidas e os documentos juntados ao processo – notadamente os ofícios das empresas de auditoria internacional Price e KPMG – provaram, sem qualquer dúvida, a inocência de Lula. O ex-Presidente não é e jamais foi proprietário do triplex, que pertence a OAS e foi por ela usado para garantir diversas operações financeiras.

Nos próximos dias demonstremos ainda que o MPF e seus delatores informais ocultaram fatos relevantes em relação ao triplex que confirmam a inocência de Lula – atuando de forma desleal e incompatível com o Estado de Direito e com as regras internacionais que orientam a atuação de promotores em ações penais.”

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins

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