Defesa de Lula diz que Delcídio tem ‘imaginação estigmatizante’

Defesa de Lula diz que Delcídio tem ‘imaginação estigmatizante’

Advogados do ex-presidente, em resposta à acusação de obstrução de Justiça, afirmam que ex-senador estava 'obcecado pelas vantagens do prêmio da delação'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

06 de setembro de 2016 | 16h39

Lula (à esq.) e Delcídio. Foto: Ed Ferreira/AE

Lula (à esq.) e Delcídio. Foto: Ed Ferreira/AE

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou o ex-senador Delcídio Amaral, pivô do processo criminal contra o petista por obstrução de Justiça. Em um documento de 160 páginas, os advogados de Lula responderam à acusação do Ministério Público Federal e a classificaram como ‘delirante’.

Documento

Delcídio, ex-líder do governo Dilma (PT) no Senado, fez delação premiada e afirmou que Lula participação do plano para barrar a Operação Lava Jato, comprando o silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró.

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Os advogados de Lula fulminam a delação de Delcídio, atribuindo a ele ‘imaginação estigmatizante’, ‘processos psíquicos egoístas’ e ‘constelações psíquicas’. Na avaliação dos defensores do ex-presidente, Delcídio estava ‘obcecado pelas vantagens do prêmio da delação’.

O argumento central da defesa é que não existe ‘nenhuma prova do objetivo oculto de compra do silêncio de Nestor Cerveró, através das ações definíveis como impedir e/ou embaraçar a investigação de infração penal de organização criminosa’.

A resposta à acusação é um ataque sem fim às declarações de Delcídio, cassado em maio de 2016 pelo Senado – o ex-senador foi preso em 25 de novembro de 2015 e, para se livrar da cadeia, fechou acordo de colaboração.

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A defesa afirma que os procuradores da força-tarefa da Lava Jato atribuíram a Delcídio informações usadas na denúncia contra Lula.

“A análise mais elementar mostra tratar-se de palavras “colocadas na boca” do delator Delcídio do Amaral pelos inquisidores do Ministério Público Federal”, aponta o documento subscrito por sete advogados.

Em sua delação, Delcídio relatou encontros com Lula em São Paulo, indicando datas e situações. Segundo ele, o ex-presidente demonstrou preocupação com a delação de Cerveró que poderia atingir o pecuarista José Carlos Bumlai, seu amigo.

“O que se extrai da análise da exordial é que o Peticionário apenas participou de reuniões com Delcídio do Amaral nos dias 8 de abril de 2015, 16 de abril de 2015, 30 de abril de 2015, 8 de abril de 2015, 19 de junho de 2015 e 31 de agosto de 2015 e efetuou oito conversações telefônicas com José Carlos Bumlai. Como já dito, não há na peça qualquer outra descrição pormenorizada do conteúdo destas reuniões e
ligações. Assim, ainda que se assuma que a intenção do Peticionário tenha sido a de embaraçar a delação de Nestor Cerveró, não há qualquer indício do seu real embaraço, configurando-se, neste sentido, ato meramente preparatório”, sustenta a defesa de Lula.

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