Defesa de executivo pede mais tempo para responder acusações da Lava Jato

Defesa de executivo pede mais tempo para responder acusações da Lava Jato

Advogados do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, afirmam que não tiveram acesso à íntegra de interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e pedidos de busca e apreensão

Redação

21 de janeiro de 2015 | 14h16

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Em resposta às denúncias feitas pela Procuradoria à Justiça Federal, a defesa do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, preso em Curitiba há cerca de 2 meses, afirmou que precisa de pelo menos 30 dias para analisar as acusações contra o executivo. Ele é suspeito de liderar o cartel de empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, que investiga corrupção e propina na Petrobrás.

Os criminalistas Alberto Toron e Carla Vanessa Domenico, que defendem o executivo, afirmam que até o momento não tiveram acesso à íntegra de interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e pedidos de busca e apreensão. No documento de 12 páginas, eles dizem ainda que não estão conseguindo identificar e localizar documentos juntados pelo Ministério Público Federal na denúncia.

“Após a disponibilização integral de todos os autos e documentos requeridos, requer-se a intimação da defesa para que responda a acusação no prazo de 30 dias para responder à acusação, considerando o volume e complexidade de documentos que necessitam ser examinados e em nome do principio da igualdade, uma vez que não só o Ministério Público Federal tem acesso integral a tudo desde o momento de sua produção, como também não se limitou a produzir as denúncias em 10 dias”, afirmou a defesa de Pessoa.

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Para os advogados, este seria um tempo razoável para estudar todos os autos relacionados à acusação. Segundo eles, Pessoa teve ciência das investigações instauradas contra a UTC em outubro de 2014.

“Até 18 de novembro de 2014, ele sequer tinha sido intimado para prestar depoimento, apesar de ter se colocado à
disposição deste MM. Juízo. E, mesmo quando ouvido em novembro, não foi indiciado, tendo sido ouvido em declarações. Foi indiciado somente em 12 de dezembro de 2014, quando apresentado o relatório das investigações pela Polícia Federal.

De acordo com os criminalistas, é injusto obrigar a defesa a apresentar resposta à acusação em prazo que eles consideram inferior ao tempo que a acusação precisou para analisar os autos relativos às operações que deram origem à denúncia.

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