Defesa de Dirceu prepara recurso ao STJ

Criminalista Roberto Podval diz que ex-ministro 'está tranquilo' na cela da PF em Curitiba e vai pedir revogação da prisão preventiva na Corte superior

Redação

05 de agosto de 2015 | 13h13

José Dirceu. Foto: André Dusek/Estadão

José Dirceu. Foto: André Dusek/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) ‘está tranquilo’ na cela da Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato. A informação é do advogado Roberto Podval, criminalista que defende Dirceu. “Outros advogados (do escritório) estiveram com o Zé e relataram que ele está bem.”

O ex-ministro foi preso em caráter preventivo segunda-feira, 3, pela Operação Pixuleco, 17.º capítulo da Lava Jato. Ele foi preso em Brasília, onde já cumpria prisão em regime domiciliar como condenado do Mensalão por corrupção ativa. Nesta terça, 4, Dirceu foi removido para a PF em Curitiba.

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Sua primeira noite na prisão federal foi em uma cela com dois homens acusados de contrabando. “Zé está bem, ele é uma pessoa tranquila’, declarou Podval.

A defesa tem prazo até sexta-feira para apelar, mas já amanhã vai ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) com um Recurso Ordinário Constitucional (ROC), por meio do qual planeja levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O TRF4 fica em Porto Alegre e mantém jurisdição em Curitiba. Em junho e julho, acuado pela Lava Jato, Dirceu entrou com pedido de habeas corpus preventivo perante a Corte. O defensor alegou ‘iminente risco de prisão’ do ex-ministro. Mas o tribunal rejeitou a medida. Agora, Roberto Podval vai entrar com o recurso constitucional no TRF4 para que os autos sejam deslocados para o STJ

Na Corte superior, a defesa vai pedir revogação da ordem de prisão preventiva dada pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações penais da Lava Jato.

No STJ a Lava Jato tem como relator o ministro Newton Trisotto – desembargador estadual convocado. Recentemente, ao negar seguimento a um habeas corpus em favor de um réu da Lava Jato, Trisotto alertou. “Nos últimos vinte anos, nenhum fato relacionado à corrupção e à improbidade administrativa, nem mesmo o famigerado “mensalão”, causou tanta indignação, tanta repercussão danosa e prejudicial ao meio social quanto estes sob investigação na Operação Lava Jato, investigação que a cada dia revela novos escândalos.”

Para Podval, a jurisprudência da Corte superior é pacífica. “O argumento ára o pedido de revogação da prisão preventiva é a falta de necessidade da medida. O próprio STJ é taxativo no sentido de que o clamor público não é justificativa para prisão preventiva de ninguém.’

O criminalista elogiou ‘a postura da Polícia Federal’. “Desde o momento da prisão até agora a Polícia Federal tem sido absolutamente impecável. É óbvio que ninguém gosta de prisão, mas Zé Dirceu e sua defesa têm sido tratados com dignidade. Todos têm sido atenciosos conosco, independentemente das imputações atribuídas ao ex-ministro, as quais não reconhecemos em hipótese alguma. Zé Dirceu não recebeu propinas.”

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