Defesa de Delcídio atribui a filho de Cerveró ‘gravação sorrateira’

Defesa de Delcídio atribui a filho de Cerveró ‘gravação sorrateira’

Senador petista, preso desde 25 de novembro de 2015, sustenta em memorial ao Conselho de Ética que ele e outros dois investigados 'não tinham a mais remota consciência' de que estavam sendo gravados por Bernardo Cerveró

Fausto Macedo e Vera Rosa

18 de fevereiro de 2016 | 19h44

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

O senador Delcídio Amaral (PT/MS) afirmou, por meio de seus advogados, que foi alvo de ‘gravação sorrateiramente obtida’ por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacional). O áudio é a peça chave da ordem de prisão contra o petista. Ele foi detido no dia 25 de novembro, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Na gravação, Delcídio diz a Bernardo Cerveró que falaria com ministros da Corte máxima para ajudar seu pai, alvo da Operação Lava Jato.

Nestor Cerveró foi preso em janeiro de 2015 por envolvimento no esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera. Durante meses a força tarefa da Lava Jato negociou delação premiada do ex-diretor da Petrobrás. Delcídio temia as revelações de Cerveró, por isso teria tentado comprar seu silêncio.

Bernardo gravou encontro com Delcídio no início de novembro. Estavam na reunião o advogado Edson Ribeiro, que defendia Nestor Cerveró, e Diogo Ferreira, então assessor do senador.

imagemdefesadelcidio

No memorial entregue ao Conselho de Ética do Senado, os adovgados de defesa de Delcídio sustentam que ele e os outros dois investigados ‘não tinham a mais remota consciência’ de que estavam sendo gravados.

O memorial é subscrito pelos advogados Gilson Dipp, Luís Henrique Machado e Raul Amaral Júnior.

“Quatro pessoas participaram da conversa: o senador Delcídio do Amaral, o seu assessor Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro e Bernardo Cerveró, ressalte-se que este figura como terceiro em relação a Nestor Cerveró. Três dos acusados não tinham a mais remota consciência de que pudessem estar sendo gravados. Bernardo, contudo, portava gravador(es) portátil(eis) que captou(aram) o áudio ambiental do diálogo. É justamente aqui que deve ser acrescentado um dado de capital relevância ao caso: o pai de Bernardo – o terceiro – Nestor Cerveró, vinha entabulando as tratativas preliminares de acordo de colaboração premiada. Ademais, conclui-se, ainda, das próprias declarações prestadas por Bernardo Cerveró, que o depoente somente gravou o teor das reuniões efetivadas porque ele e o respectivo pai já não mais acreditavam nas supostas promessas feitas pelo denunciado e pelo advogado Edson Ribeiro. Isto fica claro no Termo de Declarações firmado por Bernardo Cerveró no dia 19 de novembro de 2015, às 15h45min, na Procuradoria da República do Rio de Janeiro.”

Segundo a defesa do petista. Bernardo Cerveró promoveu ‘verdadeiro interrogatório informal, quando não provocador das declarações captadas, o que é, diga-se de passagem, vedado pela própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal’.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato