Defesa de consultor diz que indiciamento é arbitrário

Mateus Coutinho

28 de novembro de 2013 | 10h14

Advogado reage à acusação contra Arthur Teixeira

por Fausto Macedo

O criminalista Eduardo Carnelós reagiu categoricamente nesta quarta feira, 27, contra o indiciamento do consultor Arthur Gomes Teixeira pela Polícia Federal.

O indiciamento ocorreu na semana passada. A PF investiga a ação do cartel no sistema metroferroviário em São Paulo e atribui a Teixeira os crimes de lavagem de dinheiro, formação de cartel, corrupção ativa e delito financeiro por manutenção de ativos não declarados na Suíça.

Teixeira depositou mais de US$ 200 mil em uma conta de titularidade do engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações e manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), no ano de 2000.

Sócio da Procint Projetos e Consultoria Internacional, Teixeira alega ter contratado os serviços de Zaniboni para uma consultoria.

“O indiciamento do sr. Arthur é absolutamente desfundamentado, não tem nenhum amparo nos elementos dos autos do inquérito”, protesta Eduardo Carnelós. “É uma medida arbitrária, ilegal, tanto na forma quanto no conteúdo. São suposições, exercício de pura e fértil imaginação.”

Com larga experiência e atuação nos tribunais do País, Eduardo Carnelós destaca que o engenheiro Everton Rheinheimer, ex-diretor de Transportes da Siemens e delator do caso Siemens, não foi indiciado no inquérito da PF. “O sr. Arthur, que apresentou petição com todos os esclarecimentos, foi tratado de forma rude, com sarcasmo, sem guardar-se respeito mínimo e devido à pessoa dele”

Carnelós argumenta que “o sr. Arthur é um profissional sério, que foi transformado numa bucha de canhão em briga que tem motivações espúrias”.

“Everton confessa interesses econômicos no documento que está com a Polícia Federal e que é inegavelmente de sua autoria”, ressalta o advogado. “Ele diz que vai precisar da ajuda do PT. Ele se pôs a serviço de um partido interessado em combater o partido que está no governo de São Paulo. O partido a que ele serve tem feito, por meio do ministro da Justiça e do presidente do Cade, coisas inimagináveis para quem respeita o Estado de Direito.”

“Insisto, nenhum elemento dos autos autoriza imputar ao sr. Arthur os crimes pelos quais foi indiciado”, afirma Eduardo Carnelós. “O sr. Arthur foi lamentavelmente indiciado de forma ilegal, surpreendido com o indiciamento. É curioso, porque mesmo os próprios lenientes que lá no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) descreveram condutas que seriam caracterizadoras da prática de cartel não foram indiciados. Eles foram ouvidos no inquérito policial na qualidade de declarantes, não foram indiciados. Asseguro que quanto ao indiciamento do sr. Arthur, no momento oportuno, será objeto de discussão e de ação pela defesa.”

Arthur Teixeira declarou à reportagem do Estado que não fez uso de offshores para depositar os valores na conta do ex-diretor de operações da CPTM na Suíça. “Não foi via offshore. Foi através da minha conta pessoal, na mesma instituição financeira (Credit Suisse, de Zurique). Ele (Zaniboni) tinha uma conta no Credit Suisse e eu também tinha. Não tem nada de offshore. Foram meras transferências. Está nos autos do Ministério Público. Esse documento veio da Suíça como se fosse pagamento de propinas. Essa é a história verdadeira.”

Arthur Teixeira, de 78 anos, engenheiro formado e graduado pela Escola Politécnica em 1959, disse que não houve contrato formal com Zaniboni pela prestação de consultoria. “Não teve. Isso é contrato de risco, verbal.”

Confira a íntegra da entrevista publicada nesta quinta pelo Estado

 

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