Defesa de Cabral pede que juiz se declare ‘suspeito’ na ação das joias

Defesa de Cabral pede que juiz se declare ‘suspeito’ na ação das joias

Advogado do ex-governador preso desde novembro sustenta que Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, 'já adiantou sua decisão quando afirmou que ainda tem dúvida

Fábio Grellet, do Rio

24 Julho 2017 | 19h34

Juiz Marcelo Bretas. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

O advogado Rodrigo Roca, que defende o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) no processo que investiga a compra de joias pela família do peemedebista na rede de joalherias H.Stern, apresentou à Justiça Federal pedido para que o juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, se declare suspeito para julgar o caso. Cabral está preso desde novembro de 2016. Ele já foi condenado a 14 anos de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.

Para o advogado Rodrigo Roca, o juiz Bretas já adiantou sua decisão quando afirmou, em entrevista ao jornal ‘Valor Econômico’, que ainda tem dúvida sobre o processo referente às joias:”Nessa questão das joias existe uma dúvida ainda, eu ainda não decidi a respeito, se a joia era propina e ostentação ou se era lavagem de dinheiro”, afirmou Bretas ao jornal.

“Ora, quando ele fez essa afirmação, a defesa ainda não havia se manifestado uma única vez no processo. Mesmo se isso tivesse acontecido, o magistrado não deveria ter feito nenhum comentário, porque o momento de um juiz se manifestar sobre um processo é por meio da sentença. Então, ele fez um prejulgamento, antecipou a sentença, o que é proibido pela Lei Orgânica da Magistratura”, afirma Roca.

O advogado apresentou o pedido na sexta-feira, 21, junto com uma resposta preliminar, primeira manifestação da defesa nesse processo.

Agora, caberá a Bretas se manifestar oficialmente sobre a suspeição. “Se ele acatar nosso pedido, se afastará do julgamento do caso e será indicado um substituto. Se não, o pedido será enviado para o Tribunal Regional Federal da 2.ªRegião (TRF-2), que vai julgá-lo”, afirma o advogado de Cabral.

Procurado pela reportagem, o juiz não havia se manifestado sobre o caso até as 18h30 desta segunda-feira, 24.

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