Defesa de André Esteves pede ao Supremo revogação da prisão

Advogado de banqueiro alega que prisão temporária é 'injustificada' e foi decretada pela Corte 'única e exclusivamente' na palavra do senador Delcídio do Amaral (PT/MS)

Redação

25 Novembro 2015 | 21h46

André Esteves. Foto: Clayton Souza/estadão

André Esteves. Foto: Clayton Souza/estadão

 

Por Beatriz Bulla, de Brasília

O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, responsável pela defesa do banqueiro André Esteves, entrou com um pedido nesta noite no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a revogação da prisão preventiva do executivo do BTG Pactual.

Esteves foi preso nesta quarta-feira, 25, sob suspeita de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Também foi preso o senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Os dois teriam tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso desde janeiro em Curitiba, base da missão Lava Jato.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República com base em conversas gravadas pelo filho de Cerveró, o senador petista ofereceu uma mesada de R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobrás não firmasse acordo de delação premiada ou, se feita a colaboração, poupasse o congressista e o BTG Pactual. A verba seria financiada por André Esteves, segundo as conversas entre o parlamentar, o então advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, e o filho do ex-diretor, Bernardo Cerveró.

Kakay alega ao STF que a prisão temporária de Esteves foi baseada “única e exclusivamente” na fala de Delcídio, que, na mesma conversa, cita o nome de outras autoridades contra as quais não recaiu suspeita. André Esteves nega que conheça Cerveró, o filho do ex-diretor ou o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro – estes também presos por ordem do Supremo.

De acordo com o criminalista, o banqueiro conhece Delcídio assim como tem contato com outros parlamentares.

O banqueiro nega também que tenha tido acesso à minuta de delação premiada de Cerveró. Em conversas, Delcídio disse que o banqueiro tinha cópia do que o ex-diretor iria delatar ao Ministério Público Federal. “Contra o Esteves, o que sobrou foi a palavra do Delcídio, no meio de uma conversa em que ele cita várias outras autoridades. É uso indevido do nome. Sob todos os aspectos, é uma prisão injustificada”, disse o advogado.

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