Defesa de Alckmin não descarta tentar trancar investigação sobre R$ 10,3 mi da Odebrecht

Defesa de Alckmin não descarta tentar trancar investigação sobre R$ 10,3 mi da Odebrecht

Advogado José Eduardo Alckmin, que acompanhou ex-governador em depoimento por cerca de uma hora na Promotoria, disse que o presidenciável respondeu todas as perguntas no âmbito do inquérito civil que investiga supostos repasses para suas campanhas de 2010 e 2014, via caixa 2

Fabio Leite

15 de agosto de 2018 | 16h46

Geraldo Alckmin. FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO

Atualizado às 21h25

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, prestou depoimento por quase duas horas no Ministério Público de São Paulo na tarde desta quarta-feira, 15, e negou ter recebido recursos ilícitos da Odebrecht em suas campanhas ao governo do Estado em 2010 e 2014. Os pagamentos foram citados por três delatores da empreiteira no acordo de colaboração celebrado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Lava Jato.

Alckmin entrou e saiu de carro do prédio do MP paulista, no centro de São Paulo, sem falar com a imprensa. Após o depoimento, o advogado José Eduardo Alckmin, defensor do tucano, disse a jornalistas que as provas colhidas até agora são insubsistentes e não descartou entrar com pedido para trancar as investigações contra o ex-governador que correm nas promotorias do Patrimônio Público e Eleitoral, onde se apura uso de caixa 2 nas eleições.

“Há de se aguardar as investigações que ainda estão em fase de inquérito para ver depois se é o caso até de se requerer o trancamento do próprio inquérito em função das provas insubsistentes”, disse o advogado de Alckmin. “Se o próprio Ministério Público não se convencer, poderemos levar o caso à Justiça para verificar se a investigação é legal”, completou.

Segundo ele, o presidenciável tucano respondeu a todas as perguntas feitas pelo promotor Ricardo Manuel Castro, responsável por investigar suspeita de improbidade administrativa do ex-governador envolvendo os supostos pagamentos de R$ 10, 3 milhões feitos pela Odebrecht nas duas campanhas. “Foi tranquilo. Ele procurou esclarecer todos os pontos. Teve a oportunidade de demonstrar que as suspeitas não são procedentes”, disse o defensor.

Além de Alckmin, também são investigados o empresário Adhemar César Roteiro, cunhado do tucano, e o ex-secretário de Planejamento e tesoureiro da campanha de 2014, Marcos Monteiro. Os dois são acusados por três delatores da Odebrecht de terem recebido R$ 10,3 milhões para as campanhas – R$ 2 milhões a Adhemar em 2010, sob o codinome “Belem” e R$ 8,3 milhões a Monteiro, sob os codinomes ‘Salsicha’ e ‘M&M’. Todos negam terem recebido vantagens indevidas.

O depoimento de Marcos Monteiro, que estava marcado para a última segunda-feira, 13, foi cancelado pelo promotor Ricardo Manuel Castro. Já Adhemar Ribeiro foi ouvido no mês passado e disse que intermediava a relação de Alckmin com empresários, inclusive para realização de palestras, mas negou ter recebido dinheiro para campanha política.

O Estado apurou que o ex-executivo da Odebrecht Arnaldo Cumplido confirmou todo o teor da delação feita na Lava Jato referente aos pagamentos feitos pela empreiteira aos condinomes ‘Salsicha’ e ‘M&M’. Planilhas apreendidas com o ex-presidente da empresa Benedicto Junior, o BJ, vinculam os pagamentos a dois contratos fechados com estatais paulistas: a construção de um emissário submarino da Sabesp na Praia Grande e a Parceria Público-Privada (PPP) da Linha 6-Laranja do Metrô.

Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, BJ afirmou que o propósito dos repasses a Alckmin, que saíram do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento da propina, era “a manutenção dos contratos em andamento” em São Paulo” e a “proeminência de Geraldo Alckmin no cenário nacional, a sua liderança e de seu partido no Estado de São Paulo”.

BJ e o ex-diretor Carlos Armando Paschoal, que revelou os pagamentos ao cunhado de Alckmin em 2010, se recusaram a prestar depoimento e a colaborar com a investigação de enriquecimento ilícito do tucano porque o promotor Ricardo Manuel Castro sinalizou que não fechará acordo de colaboração com a empreiteira na esfera cível, como outros promotores do Patrimônio Público já fizeram.

COM A PALAVRA, A SABESP

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Sabesp informou.

“Citada na reportagem ‘Defesa de Alckmin não descarta tentar trancar investigação sobre R$ 10,3 mi da Odebrecht’, publicada ontem no blog Fausto Macedo, a Sabesp informa que a execução da obra do emissário submarino de Praia Grande será realizada pelo consórcio CMR4/Augusto Velloso. A Construtora Norberto Odebrecht não foi contratada para essa obra.”

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