Defesa de Aécio diz que documentos apreendidos pela PF não comprometem senador

Defesa de Aécio diz que documentos apreendidos pela PF não comprometem senador

Os defensores do senador tucano alegam não ver ilegalidade em anotações com referências a doleiros e com a inscrição "CX 2", encontradas em busca e apreensão da Operação Patmos

Daiene Cardoso, de Brasília

27 de maio de 2017 | 16h00

Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) diz, em uma nova nota divulgada neste sábado (27), que “desconhece” o papel com a inscrição “CX 2” encontrado entre os documentos apreendidos durante a Operação Patmos, deflagrada no dia 18, e que os documentos evidenciam que nada comprometedor foi encontrado contra o tucano, atestando a “lisura de seus atos”.

A Polícia Federal informou na sexta-feira ter encontrado comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, entre elas a inscrição “CX 2”. “Todas as campanhas das quais participou o senador ocorreram em absoluto respeito à legislação vigente. Por isso, repudiamos com veemência ilações apressadas que vêm sendo feitas sobre os citados documentos e aguardamos acesso a eles para que todos os esclarecimentos sejam feitos e eventuais dúvidas sanadas”, diz a nota assinada pelo advogado Alberto Toron.

Em mensagem divulgada na sexta, a defesa de Aécio disse que a inscrição não era indício de ilegalidade. A nota de sábado reitera essa afirmação. “Quanto à citada inscrição ‘CX 2’ em uma folha de papel, desconhecida por nós, a defesa do senador aguarda o mais rapidamente possível ter acesso a esse ‘papel’ para demonstrar que não se refere a qualquer irregularidade”, afirma o advogado.

No relatório de apreensão, a PF informou o recolhimento de um aparelho bloqueador de sinal telefônico, uma escultura e 15 quadros – um deles com a inscrição “Portinari”. A defesa explica que o quadro de Portinari foi uma pintura feita em 1961 para o ex-presidente Tancredo Neves, avô de Aécio. “Além de estar na família há quase 60 anos, o quadro consta de todas as principais publicações sobre o autor com referências ao seu proprietário”, diz o advogado.

“Em relação ao aparelho de bloqueio de celulares, ele foi oferecido ao senador ainda na campanha presidencial de 2014, quando suspeitava-se de que conversas da sua equipe poderiam estar sendo gravadas. Porém, o aparelho jamais foi utilizado pelo senador”, justifica Toron.

O relatório do material apreendido no gabinete do senador inclui “folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Nobert Muller”. Norbert Muller e a esposa Christine Puchmann são doleiros que já foram investigados na Justiça Federal do Rio de Janeiro, na Operação Norbert. O casal, segundo as investigações no Rio de Janeiro, seria responsável por criar e manter contas bancárias em Liechtenstein, paraíso fiscal na Europa. Na investigação havia uma referência a Inês Maria Neves Faria, mãe do senador tucano. Os doleiros foram denunciados mas o inquérito foi arquivado.

Em resposta, a defesa de Aécio alega que se trata de um documento público e sua cópia foi solicitada pela defesa após citações nos veículos de comunicação “exatamente para demonstrar que a referência feita à mãe do senador havia sido arquivada por não conter irregularidades”.

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