Defesa alega que só em liberdade ex-tesoureiro do PT poderá arrumar dinheiro e pagar fiança

Defesa alega que só em liberdade ex-tesoureiro do PT poderá arrumar dinheiro e pagar fiança

Advogados de Paulo Ferreira, preso na Operação Abismo da Lava Jato, em junho de 2016, pedem à substituta de Moro que solte acusado sob compromisso de que, em quinze dias, irá providenciar R$ 200 mil

Julia Affonso e Ricardo Brandt

21 de janeiro de 2017 | 06h00

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

Mais de um mês depois de ter a prisão preventiva revogada, sob fiança, pelo juiz federal Sérgio Moro, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira ainda não conseguiu deixar a prisão. A defesa alega dificuldade em levantar o dinheiro para pagar a fiança de R$ 200 mil estipulada pela juíza federal Gabriela Hardt, substituta de Moro durante as férias do magistrado.

Ferreira foi preso na Operação Abismo, 31.º desdobramento da Lava Jato, em 23 de junho de 2016, que investiga desvios em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes).

Em 16 de dezembro, Moro impôs recolhimento de R$ 1 milhão para Ferreira sair da cadeia. A defesa do ex-tesoureiro entrou com dois pedidos de reconsideração da fiança, alegando que o petista está desempregado e com dívidas.

Em 12 de janeiro, Gabriela reduziu o valor de R$ 1 milhão para R$ 200 mil.

Os defensores de Paulo Ferreira argumentaram à juíza ‘dificuldades em levantar o valor de R$ 158.770,55 referentes à carta de crédito de consórcio imobiliário que (o petista) mantém junto à Caixa Econômica Federal, eis que a instituição financeira estaria exigindo que somente o requerente, pessoalmente, poderia levantar o numerário’.

A defesa ofereceu, como garantia, ‘veículo de sua propriedade que estaria em posse de sua esposa, na cidade de Brasília/DF, e que segundo a tabela FIPE estaria avaliado em R$ 34.988,00’.

A defesa do ex-tesoureiro do PT solicitou à Gabriel Hardt que coloque o petista em liberdade ‘com o encargo de, em quinze dias, providenciar o depósito do valor da carta de crédito, e, em trinta dias, complementar o depósito do valor remanescente até atingir R$ 200 mil’.

A juíza afirmou que ‘é ônus da defesa comprovar as alegações’.

“Em que pesem as alegações da defesa, estão elas desprovidas de prova de fácil produção, vale dizer, documentos que atestem a impossibilidade de familiares do acusado sacarem o numerário junto à Caixa Econômica Federal”, anotou. “Intime-se a defesa para que junte aos autos alguma prova documental do óbice supostamente oposto pela Caixa Econômica Federal, com urgência.”

Gabriela manteve as medidas cautelares determinadas por Moro ao ex-tesoureiro – proibição de deixar o país e a obrigação de entregar os seus passaportes, brasileiro e estrangeiro; comparecimento a todos os atos do processo, salvo se dispensado expressamente; proibição de deixar sua residência por mais de 20 dias sem autorização do Juízo; proibição de mudar de residência sem autorização do Juízo; e proibição de se aproximar ou de contatar, direta ou indiretamente, outros acusados ou testemunhas deste feito e seus familiares, inclusive e, principalmente, Alexandre Correa de Oliveira Romano.

Alexandre Romano, o Chambinho, é ex-vereador pelo PT em Americana e delator da Lava Jato. Ele citou Ferreira.

Interrogado por Moro, em dezembro, o ex-tesoureiro do PT, confessou que seu partido – e as outras legendas políticas – trabalha com recursos não contabilizados. Ele disse que ‘negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é negar o óbvio’.

“É um problema da cultura política nacional, dr. Moro”, disse o ex-tesoureiro, na ocasião. “Eu não estou aqui prá mentir prá ninguém. Estou aqui prá ajustar alguma dívida que eu tenha, minha disposição aqui é essa.”

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoPaulo Ferreira

Tendências: