Defensoria Rio lança canal de denúncia de violências e racismo no parto

Defensoria Rio lança canal de denúncia de violências e racismo no parto

Protocolo de cooperação será firmado nesta terça, 3, pela Defensoria e Associação de Doulas do Estado com objetivo de 'promover capacitação técnica, difusão de informação e acompanhamento de demandas jurídicas'

Pepita Ortega

02 de setembro de 2019 | 12h57

Dentre as diversas formas de violência de gênero, a violência obstétrica é uma realidade que agrava a situação de vulnerabilidade social das mulheres. Um estudo revela que no Brasil uma em cada quatro mulheres já sofreu algum tipo de violência durante o parto.

Diante deste cenário, a Defensoria Pública do Estado do Rio e a Associação de Doulas do Estado do Rio (AdoulasRJ) vão assinar protocolo de cooperação, nesta terça, 3, às 14hs, com o objetivo de ‘promover capacitação técnica, difusão de informação de qualidade sobre o ciclo gravídico-puerperal e acompanhamento das demandas jurídicas motivadas, principalmente, por práticas de violência obstétrica e de racismo que chegam à instituição’.

A parceria prevê a criação de um canal de denúncias para mulheres que tenham sofrido algum tipo de violência obstétrica. Foto: Pixabay/@DigitalMarketingAgency

As informações foram divulgadas pela Defensoria.

Será lançada a cartilha ‘Gestação, Parto e Puerpério – Conheça seus Direitos!’ na sede da Defensoria à Avenida Marechal Câmara, 314.

A parceria prevê, entre outras ações, a distribuição de cartilhas informativas e a criação de um canal de denúncias para mulheres que tenham sofrido algum tipo de violência obstétrica.

As denúncias poderão ser realizadas pelo portal www.violenciaobstetricafale.com.br e serão encaminhadas para o Núcleo de Defesa dos Direito da Mulher Vítima de Violência de Gênero (Nudem).

A presidenta da AdoulasRJ, Morgana Eneile, acredita que, além da conscientização, ‘a criação do canal é fundamental para a construção de mecanismos de combate a esse tipo de violência’.

“É importante que um órgão qualificado possa receber e identificar casos de violência obstétrica. A iniciativa é fundamental para prevenir e combater as diversas formas de violências de gênero que acontecem durante a gestação, o parto e o puerpério”, ela ressalta.

Diante dos crescentes casos de violência, a subcoordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria do Rio, Matilde Alonso, avalia que a iniciativa é importante para assegurar os direitos da mulher.

“Toda mulher tem direito a cuidados de saúde dignos e respeitosos”, afirma Matilde. “A violência obstétrica ameaça o direito à vida e à integridade física das mulheres, o que representa uma grave violação aos direitos humanos.”

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