Defensoria da União pede na Justiça que Ministério da Saúde divulgue diariamente dados integrais sobre coronavírus até 19h

Defensoria da União pede na Justiça que Ministério da Saúde divulgue diariamente dados integrais sobre coronavírus até 19h

Pasta tem atrasado balanços e, após tirar site com informações sobre a pandemia do ar, apagou números referentes ao histórico da doença

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto

06 de junho de 2020 | 20h13

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello. Foto: Joédson Alves/EFE

A Defensoria Pública da União (DPU) entrou, neste sábado, 6, com um pedido de liminar no plantão da Justiça Federal de São Paulo para obrigar o Ministério da Saúde a divulgar atualizações integrais do avanço dos casos e mortes de Covid-19. A DPU pede ainda que a pasta adicione novamente ao Painel Coronavírus os dados apagados na sexta-feira, 5, referentes ao histórico do avanço da doença no País.

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O defensor  João Paulo afirma que é dever do poder público ‘informar correta e adequadamente à população todos os atos adotados no combate à disseminação da doença’ no Brasil.

“A informação que colhe e presta o Ministério da Saúde já é ruim, por não trazer dados pormenorizados que indiquem com muito mais precisão como a pandemia tem se comportado como as diversas regiões têm conseguido enfrentá-la. A já pobre informação agora é cerceada, impedindo-se que todos, população e órgãos públicos, tenham acesso integral a ela”, diz o pedido.

Parlamentares da oposição e procuradores do Ministério Público Federal também devem apresentar ações na Justiça contra o atraso na divulgação dos dados.

Por três vezes nessa semana o Ministério da Saúde retardou a apresentação de balanços diários da pandemia, que costumavam sair por volta das 16h. O informe de sexta, 5, foi divulgado às 22h e omitiu o número total de mortos no País desde fevereiro, quando foram registrados os primeiros casos da doença. A ação foi admitida pelo próprio presidente, que disse na porta do Alvorada que ‘acabou a matéria no Jornal Nacional’.

Mais cedo, o Ministério da Saúde passou a restringir as informações disponíveis na página online que mantém para incluir informações sobre a Covid. Depois de ficar fora do ar por um dia, o site https://covid.saude.gov.br/ exibe agora apenas as números de casos de pessoas recuperadas, novas contaminações e os óbitos. Todas as demais informações sobre o histórico da doença e dados acumulados foram omitidas.

Na manhã de hoje, Bolsonaro tentou justificar a ausência dos números alegando que eles ‘não retratam o momento do País’. “A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostram as situações como as cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação”, disse.

Em um cenário de sub-notificação reconhecido pelo próprio Ministério da Saúde, que identifica ao menos 4 mil mortes suspeitas por Covid-19, Carlos Wizard, indicado para a secretária de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, disse ao jornal O Globo que a pasta irá recontar o número de mortos porque os dados seriam ‘fantasiosos ou manipulados’.

Ao Estadão, Wizard afirmou que o governo não planeja ‘desenterrar mortos’, e sim ‘rever critérios’ dessas mortes. Segundo ele, Estados e municípios estariam inflando o número de óbitos para obter benefícios federais. A informação teria sido repassada por uma ‘equipe de inteligência militar’ do Ministério da Saúde.

A tentativa de minimizar os dados de óbitos por covid nas divulgações oficiais do governo tem sido recorrente desde que o País passou a registrar recordes negativos da doença. Em 29 de abril, quando o Brasil atingiu a marca de 5 mil mortos pela doença, o governo criou o ‘Placar da Vida’. A iniciativa da Secom enaltecia os brasileiros ‘recuperados’ e ‘salvos’, classificando aqueles que foram diagnósticos como ‘em tratamento’.

O último ‘Placar da Vida’ foi publicado no dia 3 de junho e apontava 584 mil casos confirmados da doença no País. No dia, o Brasil confirmava 1.349 mortes por coronavírus em 24 horas, levando o total para mais de 32 mil óbitos. Esses números não foram noticiados no placar do governo.

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