Defensores dos direitos humanos são culpados por mortes de inocentes, diz Witzel

Defensores dos direitos humanos são culpados por mortes de inocentes, diz Witzel

Governador do Rio de Janeiro, em evento na Baixada Fluminense, defendeu a necessidade de matar pessoas que estiverem armadas com fuzis, afirmou que não vai recuar no combate à criminalidade e comparou essa missão ao combate ao nazismo

Fábio Grellet / RIO

17 de agosto de 2019 | 14h36

O governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta sexta-feira, 16, que os ‘pseudodefensores dos direitos humanos’ são culpados pelas mortes de inocentes durante confrontos entre criminosos e a polícia. A afirmação foi feita durante evento em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Na ocasião, o governador defendeu a necessidade de matar pessoas que estiverem armadas com fuzis.

“Quando eu digo que quem está de fuzil na mão deve ser abatido, levantam-se vários defensores dos direitos humanos. Quando eles matam inocentes, dizem que foi a polícia que matou. Mas, quando digo que tem que abater quem está de fuzil, eles são contra. Mas são esses que estão de fuzil a tiracolo nas comunidades que atiram nas pessoas inocentes. Pessoas que se dizem defensoras dos direitos humanos, pseudodefensores dos direitos humanos, não querem que a polícia mate quem está de fuzil, mas aí quem morre são os inocentes”, afirmou o governador.

Em apenas cinco dias, entre 9 e 14 de agosto, pelo menos seis jovens moradores da periferia do Rio de Janeiro morreram atingidos por balas perdidas durante confrontos entre policiais e criminosos. Entre eles está um estudante de 16 anos que jogava na categoria sub-16 do América-RJ que foi alvejado quando saía de casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio, para ir treinar futebol.

“Esses cadáveres (de inocentes mortos durante confrontos) não estão no meu colo, estão no colo de vocês, que não deixam que as polícias façam o trabalho que tem que ser feito. Quanto mais vocês defenderem esses narcoterroristas, outros cadáveres serão colocados no colo de vocês, pseudodefensores dos direitos humanos”, completou Witzel.

O governador afirmou que não vai recuar no combate à criminalidade e comparou essa missão ao combate ao nazismo. “Chamem os especialistas e perguntem como acabamos com o nazismo na Europa. Como acabamos com a desgraça de mandar gente ser queimada em fornos, de morrer em campos de concentração. Não houve qualquer leniência com o nazismo. A Alemanha foi bombardeada, pessoas morreram. Nós não queremos que pessoas morram. Queremos evitar. E vamos parar? Vamos deixar o crime organizado tomar conta de novo, ocupar as ruas e assaltar de fuzis os shoppings?”, questionou Witzel.

‘Não se combate terrorismo com flores’

No mês passado, o governador já havia voltado ao tema dos fuzis, ao apresentar um balanço da segurança pública do Estado nos primeiros meses de governo. Na ocasião, Witzel citou somente um tipo de crime cuja incidência subiu no período: as mortes por intervenção de agentes policiais, que aumentaram 14% em comparação com o início do ano passado. No entanto, o governador deu a entender que os números são consequência do combate ao crime.

“Em qualquer lugar do mundo, quem está de fuzil é abatido”, disse. “Não se combate terrorismo com flores. Se combate com investigação, armas do mesmo calibre e um processo rigoroso. Se não se entregarem, serão mortos. O recado está dado: não enfrentem a polícia.” De janeiro a junho deste ano, 881 pessoas morreram após intervenção policial no Rio, ante 769 no mesmo período de 2018, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

Política de segurança do Rio no Supremo

A mudança da política pública de segurança do Rio, concretizada pelas ações do governador, é alvo de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo Tribunal Federal. Em junho, o PSOL pediu que a Corte estabelecesse uma medida cautelar para que o Rio de Janeiro ‘se abstenha de adotar a política pública de segurança que estimule o abatimento e/ou neutralização de pessoas’.

O pedido inicial do partido cita uma declaração de Witzel ao Estadão em entrevista após sua eleição. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, afirmou o governador.

Segundo o PSOL, as declarações do governador ‘legitimam a violência policial’ e ‘passaram a integrar sua atuação como autoridade máxima do Estado do Rio de Janeiro e Chefe das Polícias Civil e Militar’.

No último dia 9 foi registrada a mais recente movimentação do processo. O ministro Edson Fachin, deu dez dias para que o Governador do Rio de Janeiro se manifeste sobre o assunto, ‘em vista da gravidade dos fatos noticiados’.

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