Defensor do voto impresso, Ricardo Barros votou para manter veto de Dilma à proposta

Defensor do voto impresso, Ricardo Barros votou para manter veto de Dilma à proposta

Rayssa Motta

08 de agosto de 2021 | 18h00

O líder do governo na Câmara Ricardo Barros. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Bandeira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a proposta de comprovante impresso do voto, a chamada PEC do Voto Impresso, tem hoje entre seus principais defensores e articuladores o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.

Na última quinta-feira, 6, antes do parecer desfavorável da comissão especial instituída na Casa Legislativa para debater o tema, Barros postou nas redes sociais: “Voto auditável. A luta continua. Hoje teremos votação do voto vencedor, que irá a plenário. Mais transparência na eleição nunca é demais”.

O deputado tinha, no entanto, outra convicção em 2015. Na época, ele compunha a base de apoio do governo da então presidente Dilma Roussef (PT) e votou para manter o veto da petista ao voto impresso, previsto no projeto de lei da minirreforma eleitoral (PL 5.735/13). E ele não foi o único aliado bolsonarista contrário à proposta: o deputado André Fufuca (PP-MA), que assumiu a presidência do Progressistas após a ida do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, também defendeu a manutenção do veto de Dilma.

O embargo presidencial acabou derrubado pelo Congresso, que manteve a previsão de impressão do comprovante de voto, mas a mudança foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 e não chegou a ser colocada em prática.

Também há deputados que rumaram em sentido contrário: em 2015 votaram para derrubar o veto presidencial ao comprovante impresso de votação e, agora como membros da comissão especial que analisa o texto, fizeram coro para rejeitar a PEC. Entre eles, Orlando Silva (PCdoB-SP), vice-líder da oposição, que chegou a chamar a proposta de ‘golpismo escancarado’ em artigo publicado no portal Poder 360, Marcio Alvino (PL-SP) e Aliel Machado (PSB-PR).

Crítico contumaz do governo, Rodrigo Maia (sem partido-RJ) tem defendido que a PEC é uma tentativa de trazer instabilidade ao País e também votou pela rejeição do texto na comissão. Em 2015, por sua vez, chegou a cumprimentar o então deputado Jair Bolsonaro pela ‘ideia’ e ‘trabalho’ pela aprovação do voto impresso.

“Eu quero agradecer ao deputado Bolsonaro e agradecer ao plenário. Tenho certeza de que, menos do que uma derrota da presidente Dilma, a decisão de derrubar o veto do dispositivo que prevê o voto impresso é uma vitória da sociedade brasileira, que pode ter o direito, a partir das eleições de 2018, de recontar qualquer uma das urnas. Hoje, no Brasil, nós somos obrigados a aceitar o resultado imposto pelas urnas, que são seguras, mas não são infalíveis. Tenho certeza de que o resultado de hoje vai garantir eleições mais seguras e mais democráticas a partir de 2018”, disse em plenário na ocasião.

A pouco mais de um ano das eleições, a proposta de voto impresso voltou a repercutir capitaneada por Bolsonaro e por seus aliados. Costuma vir acompanhada de informações falsas sobre as urnas, ataques ao sistema eletrônico de votação e ameaças ao pleito de 2022. O debate acabou abrindo uma crise entre Executivo e Judiciário, depois que o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal abriram investigações sobre as declarações do presidente. A investida jogou gasolina no discurso já inflamado de Bolsonaro. Apesar da derrota da proposta na comissão especial da Câmara, o texto deve seguir para escrutínio do plenário, como sinalizou o presidente da Casa Legislativa, Arthur Lira (PP-AL).

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