Decisão foi um prêmio, diz Levy Fidelix sobre condenação judicial

Decisão foi um prêmio, diz Levy Fidelix sobre condenação judicial

Candidato à Presidência em 2014, político do PRTB foi processado e condenado a pagar R$ 1 milhão por 'declarações homofóbicas'; ele afirma que defendeu a família

Redação

29 de março de 2015 | 04h00

Por Julia Affonso

Dos 63 anos de vida do ex-candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB), 40 foram dedicados à política. Todos, afirma, sem nenhum processo. A primeira ação, ele sofreu em setembro de 2014, após um debate eleitoral na TV Record. A primeira condenação veio neste mês. No início de março, ele foi condenado a pagar R$ 1 milhão para ações de promoção de igualdade da população LGBT por declarações consideradas homofóbicas pela Defensoria Pública de São Paulo e pela Justiça do Estado.

“Para mim não é condenação, primeiro que é 1ª instância. É uma posição, com o devido respeito à juíza. Para mim, foi no bom sentido um prêmio. Mostrou-se que a minha pretensão de defender a família ficou muito mais forte. Claro, haverá recurso”, disse.

Levy Fidelix na sede do PRTB. Foto: Julia Affonso/Estadão

Levy Fidelix na sede do PRTB. Foto: Julia Affonso/Estadão

Fidelix é jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense, em Niterói, região metropolitana do Rio. O presidente do PRTB nasceu em Mutum, cidade do interior de Minas Gerais, e chegou a São Paulo em 1983.

Um ano depois, disputou sua primeira eleição como candidato a deputado federal pelo Estado paulista. Nos anos de 1989 e 1990 foi um dos assessores de comunicação da campanha à Presidência da República de Fernando Collor de Mello. Desde a década de 80, vem disputando eleições. Na última, no ano passado, teve 446.878 votos.

O que falou no debate, segundo ele, “é passado”. Após uma pergunta da então candidata à presidência Luciana Genro (PSOL) sobre reconhecimento de casais do mesmo sexo como família, Fidelix disse que nunca havia visto procriação entre pessoas do mesmo sexo e que preferiria perder votos a apoiar homossexuais.

“Aparelho excretor não reproduz”, afirmou. “Como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos”, disse ainda o então candidato.

Na resposta, Levy defendeu o enfrentamento a “essas minorias”: “Vamos ter coragem, somos maioria, vamos enfrentar essas minorias”. “Instrua seu filho, instrua seu neto”, pediu o candidato ao público. Fidelix tentou “ilustrar” sua opinião citando o caso do ex-arcebispo polonês Jozef Wesolowski, preso pelo Vaticano acusado de pedofilia.

“A questão em tela surgiu de uma pergunta basicamente. Não se tratava de homofobia ou não. A candidata Luciana Genro falou o que para o candidato Fidelix? ‘Você é a favor ou não da união homoafetiva?’ Tudo se baseou nisso. E eu respondi: ‘sou contra’. Por quê? Como pai, como avô, eu entendo que é fundamental gerar filhos. A nação precisa. Não adianta ter uma nação sem ter povo. E povo significa o quê? Geração de filhos”, disse ele.

À Justiça, Fidelix afirmou que não incitou o ódio, mas sim manifestou seu pensamento em debate eleitoral televisivo. Nesta entrevista, o ex-candidato diz não ser homofóbico, mas sim um defensor da família. Ele fala também do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, do ex-presidente venezuelano Hugo Chavéz, morto em 2013, Fidel Castro, do Movimento dos Sem-Terra (MST), de comunismo e do Foro de São Paulo, organização composta por partidos e movimentos de esquerda da América Latina e Caribe, como o PT, e da novela das 21h, da Rede Globo.

“A Defensoria Pública tem seu ponto de vista, nós temos o nosso. E eu respeito, especialmente, respeito o Judiciário, confio nele. Tenho certeza absoluta que a demanda no futuro será positiva no tocante ao que eu falei, em prol da família. Não falei contra ninguém. Não sou homofóbico, respeito as pessoas, suas preferências. Elas têm direito, sim, a pensar como pensam, agir como querem.”

ESTADÃO: Como o sr.recebeu a condenação por causa de suas declarações no debate do ano passado?

LEVY FIDELIX: Para mim, não é condenação. Eu não sou bandido, não matei ninguém. Isso não é condenação. Isso é, em tese, uma punição pelo entendimento dela. Condenação é quando você tem um condenado. Aliás, também não transitou em julgado. Isso não é condenação, porque eu não sou um condenado, sou um pai de família, um avô, um político exemplar, sob todos os pontos de vista. Isso não é condenação. Essa palavra é muito mal usada. Mesmo porque condenados são esses degradados filhos de égua, que já vieram lá de Portugal com os grilhões no pé, e os que aí estão que lamentavelmente cometem crimes. Eu não cometi crime. Estou aguardando uma revisão em tese desta punição.

ESTADÃO: O sr.mantém as declarações? Mudaria alguma coisa que falou no debate?

LEVY FIDELIX: O que falou, primeiro, que é passado. O que falei, eu já disse, é defesa da família. Eu não ataquei ninguém. Em nenhum momento eu cito grupo A ou grupo B. Não cito ninguém. O que eu falei é ‘Estou em prol da família’. Meu ponto de vista é este: duas pessoas não podem gerar filhos. Cientificamente não é? Nada mais do que isso.

ESTADÃO: No site do PRTB há uma ‘petição em favor de Levy Fidelix: condenado por defender a família!’, endereçada ao presidente do Tribunal de Justiça de SP, José Renato Nalini.

FIDELIX: Não sou eu. São vários movimentos a nível de Brasil. Viram que foi feita essa colocação do plano jurídico, dessa 1ª instância. Naturalmente que a família brasileira está em alerta. A igreja ortodoxa, igreja católica, todas as pessoas que se sentem, acho que a maioria esmagadora do povo brasileiro, se sente violentada, que o meu pensamento, que a minha linha de raciocínio, de cristão não esteja também sendo respeitada. Acho que isso é saudável e eu só tenho a agradecer.

ESTADÃO: O sr.tem recebido muitas manifestações?

FIDELIX: Muitas, meu Deus do céu. Só para você ter uma ideia, no nosso Facebook, em apenas 6 dias, 1,44 milhão de mensagens. Mais de cento e tantas mil falando: ‘olha, Levy Fidelix, nós vamos pagar para você. Todo mundo se junta, R$ 1’. Claro que eu não fiz, e nem é necessário, porque eu tenho certeza absoluta que no futuro será revisto.

ESTADÃO: O que é liberdade de expressão para o sr.?

FIDELIX: Isso está na Constituição Federal. A minha liberdade começa e termina quando começa o seu direito e vice-versa. Se eles pensam assim, eles têm direito de pensar e falar. Eu também. Eu não ofendi ninguém. Que ofensa é dizer que dois iguais não fazem filhos? Isso não é ofensa, é um ponto de vista. Nós não estamos na época da Idade Média, quando se queimavam as pessoas na fogueira. Nós não estamos na época em que Galileu Galilei, que ele pensava de um jeito e outros não pensavam e queriam queimá-lo. Será que a gente vive esses momentos agora? Lamentável, né?

ESTADÃO: Acredita que depois das declarações seus votos aumentaram ou diminuíram?

FIDELIX: Isso não está em análise, não. Eu sou um político que tem 40 anos de vida política. Embora, 24, 25 anos, mais ativo. Eu acho que eu expressei o que a sociedade pensa em matéria de defesa dos seus direitos, da vida. Aliás, eu lamento muito também que a Defensoria não tenha movido ações, por exemplo, contra a Luciana Genro, que defende a morte. Defende o aborto, que é um crime. É um ser humano que está ali. O Eduardo Jorge que também fala que maconha é muito bom. Defende as drogas. Nós temos 1 milhão de drogados no Brasil. Tem muita gente por aí que tem cometido crimes. Eu, não.

ESTADÃO: A defensoria fala em discurso de ódio. O que o sr. acha que é um discurso de ódio?

FIDELIX: O que ela fala ou não, honestamente, os autos estão escritos. Ela já falou. Eu não vou comentar decisão judicial. Decisão judicial se cumpre, não vou comentar sobre isso.

ESTADÃO: O sr.tem acompanhado as investigações da Operação Lava Jato? Como tem visto?

FIDELIX: Estou muito preocupado com nosso País, que vive um momento de grande dificuldade. Era previsto isso. Nós temos aí um mundo de mentiras, a economia ruim, investindo em Cuba, na Venezuela. O Foro de São Paulo está presente, porque ninguém está defendendo os que estão morrendo na Venezuela. Seu Lula, dona Dilma, o Chávez, esse povo todo, reunido com mais Fidel Castro formam uma laia só. Esse grupo quer o quê? O ateísmo no Brasil, dividir a nossa sociedade. Entregar para esse grupo de incompetentes, a nossa nação de 200 milhões de habitantes. Eu vi o prenúncio disso que está acontecendo, agora, na campanha. Eu aconselharia a ela renunciar. Era melhor para o Brasil, para os brasileiros. Em vez de impeachment. Eu sou da paz, a gente não quer movimentos rigorosamente que tragam malefícios às pessoas. O MST com (líder João Pedro) Stédile está invadindo fazendas, quebrando nossas mudas na área de biotecnologia, como quebrou no Rio Grande do Sul e em Brasília. Não vi a Defensoria Pública, que deveria defender, mover ações contra o MST, os Blac blocs. Isso é prejuízo para a nação. O que eu dei de prejuízo para a nação para que o aparato estatal venha contra um cidadão e queira R$ 1 milhão? Além de não poder, como foi dimensionar se é R$ 1 milhão, R$ 10 milhões, R$ 100 mil?

ESTADÃO: O sr.foi à manifestação do dia 15 de março? Como viu os protestos?

FIDELIX: No dia que houve, nós tínhamos uma cerimônia na igreja. Eu estava na igreja, na missa. Minha esposa teve um problema, nós voltamos para casa e acompanhamos pela televisão. Eu não apenas gostei, como me manifestei o tempo todo. Torço para que isso dê certo. Dois milhões de pessoas não é nada desprezível, como os ministros da Dilma vêm dizendo. Isso é lamentável. Os ministros estão em outro mundo.

ESTADÃO: Dia 12 de abril tem outra manifestação, o sr. pretende ir?

FIDELIX: Eu estarei fora. Não que eu quisesse. Tenho compromissos foram do País, lá na Alemanha. Temos encontros e fóruns. Mas estou acompanhando, tenho postado nos meus blogs nesse sentido. Temos que discutir toda a situação nas ruas, já que muitas vezes o Congresso está insensível. Então, que digam que estão insatisfeitos com a Dona Dilma. E vamos dizer, e já estou dizendo. Eu tenho 150 mil filiados, creio, que estão concordando conosco nisso aí.

ESTADÃO: Na rua, muitas pessoas falam em intervenção militar. O sr. acha que esse é o caminho?

FIDELIX: Não. Claro que os militares já deram sua contribuição. Durante 21 anos, o Brasil, que era a 40ª nação no mundo, em desenvolvimento, hoje é a 8ª em progresso econômico. Isso durante 21 anos. Entregou para o Sarney que acabou com o Brasil. No tocante a liberdade, acho que nós alcançamos muito com a democracia. Agora não podemos reverter essa liberdade alcançada, como o Gramiscismo quer calar pessoas como eu e tantos outros que querem se expressar e não terem direito a pensar o contrário. Não pode. Daqui a pouquinho, eles vão colocar armas na mão do MST. Dizem que tem até paióis de armas lá no Paraná, que o exército do Stédile pode pegar em armas. Está chegando gente pelo Acre, haitianos, senegaleses. O centro de São Paulo está invadido. E se eles colocarem armas na mão desse povo e eles começarem a soltar bombas por aí. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica são instituições permanentes, que o brasileiro precisa, quer e confia. Ele sabe se houver um risco iminente de graves problemas sociais, se começarem a soltar bomba, morte, um avião cai, uma bomba. Opa! Eles vão dar um alerta para que o aparato de segurança seja envolvido na situação. Neste momento, não há necessidade.

ESTADÃO: O sr.acha que o Foro de São Paulo pode se concretizar?

FIDELIX: Não vai se concretizar. A mídia entendeu que esse governo que a gente está é perigosíssimo, porque eles pensam como o Chávez, como o Maduro. Um dia desses eu vi tudo o que Cuba e Fidel Castro fazem lá. Não deixam você ter partido político, você se expressar, você não pode ter celular, TV a cabo, nada que diga respeito a sua liberdade. Por que queremos importar isso para o Brasil? Nós temos hoje 75 milhões de internautas no País. Imaginem nossos jovens, nossas mães, as pessoas maduras que hoje se comunicam pelo WhatApp, não terem liberdade. É terrível o comunismo, o Gramiscismo. O que o Foro de São Paulo é isso, a pátria grande. Daqui a pouco, eles vão chamar a Rússia e a China para cá para combater os Estados Unidos. Pode gerar uma guerra mundial. Temos alto risco. Eles quase chegaram lá. Nós somos um povo muito cristão, evangélicos e católicos e fomos protegidos por Deus, que não deixou que o Gramiscismo e o Foro de São Paulo.

ESTADÃO: O sr. pretende se candidatar à presidente nas eleições de 2018?

FIDELIX: É natural. Todas as candidaturas que Deus me der vida e força, eu estarei a disposição da sociedade. Se eu puder sair candidato a prefeito, sairei.

ESTADÃO: Como é o dia a dia do senhor entre as eleições?

FIDELIX: Minha filha, estou indo para a Europa agora, para a Alemanha. Lá, eu trato de questões empresariais, pessoais. Tenho uma rotina de trabalho, não fico só no mundo político. Economicamente é um prejuízo pra mim.

ESTADÃO: O sr. tem visto a novela das 21h?

FIDELIX: Vejo com muita preocupação. Quando nós vemos dois ícones, com a idade que tem, perpetrarem atos daquela linha, e o povo brasileiro, católico, evangélico que é, as pessoas que querem a moral e os bons costumes sendo afrontados dentro de casa, é uma verdadeira afronta. Pessoas que poderiam dar bons exemplos como avós, se prestam a este tipo de serviço é lamentável. Se a Globo tiver bom senso, vai acabar com essa novela.

 

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