Década de grandes avanços tecnológicos na cardiologia

Década de grandes avanços tecnológicos na cardiologia

Américo Tângari Junior*

06 de fevereiro de 2020 | 04h00

Américo Tângari Junior. FOTO: DIVULGAÇÃO

A sincronia entre o conhecimento científico e os avanços tecnológicos na área da saúde, de tão rápida e perfeita, permite prever uma evolução espantosa no final desta década, talvez antes. Na verdade, este é a vereda que tem levado a Humanidade a uma vida mais feliz e saudável ao longo de nossa jornada.

Diagnósticos precisos levarão a tratamentos mais apurados. E ficarão no passado, por exemplo, doenças cardiovasculares que se tornaram a causa mais comum de morte em todo o mundo. Convém lembrar que, há um século, o coração era o responsável por 10% das mortes no Planeta. Hoje, esse fator subiu para 30%.

A cardiologia reconhece de forma rápida o papel da tecnologia. Os equipamentos têm evoluído, os exames são mais minuciosos e precisos com o uso da inteligência artificial, aumentando a definição de imagens. É o caso de angiotomografia, ressonância magnética e ecocardiogramas com nitidez superior ao olhar humano.

Essas informações melhoram a qualidade do atendimento e acabam por reduzir barreiras e custos, tornando universal o acesso aos novos procedimentos.

Ressalte-se o fato de que os pacientes terão possibilidade de telediagnóstico 24 horas por dia em qualquer parte do mundo com o progressivo desenvolvimento da telemedicina. E aí temos o exemplo do tele-eletrocardiograma. De forma segura, por meio da internet, o médico pode realizar o exame e analisar os resultados orientando rapidamente os pacientes.

Ou ainda se valer de startups na medicina, recente ferramenta para emprego de novas tecnologias associadas ao uso crescente da internet. Nesse sentido, o CRM estuda adaptar o atendimento à distância ao Código de Ética Médica.

No tratamento, nota-se o desenvolvimento de novas drogas para controle do colesterol e diabetes com aplicações semanais ou quinzenais e medicações mais precisas para controle da pressão arterial.

A robótica médica também evolui rapidamente e já permite cirurgias mais seguras com mínimos cortes, implantes de próteses sofisticadas e corações mecânicos avançados. O fato é que não se pode mais pensar em saúde sem tecnologia, aproveitando todos os benefícios aqui descritos.

Mas não se deve esquecer que o mais importante é consultar o médico ou o especialista e receber orientação para os exames mais adequados segundo a faixa etária e o histórico clínico do paciente, iniciando com pedidos de análises mais simples e acessíveis, como dosagem de colesterol e glicemia no sangue, eletrocardiograma e, se achar necessário, os mais sofisticados, como ecocardiograma, teste ergométrico, tomografia das coronárias ou cateterismo cardíaco.

Prevenção é fundamental, não se pode mais deixar-se surpreender com infarto, AVC ou mesmo morte súbita.

Os sintomas mais comuns são dores nos ombros, costas, mandíbulas, braço esquerdo, palpitações, falta de ar e cansaço. Todos podem ser sinais de anomalias graves no coração; portanto, qualquer incômodo na região do tórax deve ser investigado por um médico.

Às vezes há um excesso de informações, o que pode provocar no profissional uma sensação de insegurança. Mas isso logo se dilui, especialmente se houver uma prevenção adequada, o que garante ao paciente todos os benefícios desta evolução da medicina.

E, afinal, o conhecimento e a tecnologia podem muito. Mas não podem adivinhar os sintomas do paciente ou salvar a vida de quem nunca procurou cuidar bem dela.

E prevenção, de acordo com orientação médica, é a palavra chave da boa saúde.

*Américo Tângari Junior é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira

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